sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!


"Na vida, não vale tanto o 
que temos, nem tanto importa 
o que somos. 
Vale o que realizamos com aquilo que 
possuímos e, acima de tudo, 
importa o que fazemos de nós!"
Chico Xavier

Feliz Natal, amigo!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

GP Toninho de Fórmula 1???

Pois é! Agora o blog vai inovar de vez!
Como todos os meus cinco leitores têm reclamado muito que os textos deste blog estão grandes demais, decidi radicalizar e transmitir (quase) ao vivo e em (poucas) cores o treino de hoje.
Acompanhe então a corridinha de seis km ao redor da lagoa, com narração de Gavião Buenux e comentários de RegynaUdu Lemy.

Parte 1 - Chegando ao local de partida

Parte 2 - os preparativos para a largada

Parte 3 - Ligando o GPS

Parte 4 - Larguei!!!

Parte 5 - Comecei rápido demais...

Parte 6 - Mostrando o crepúsculo

Parte 7 - Na metade do caminho. Galvão tenta entrevistar nosso herói

Parte 8 - Anoitecendo

Parte 9 - Se chover, danou tudo!

Parte 10 - 5ºKM - Errei a conta do tempo! Burro!

A chegada! Galvão entrevista nosso atleta e Toninho agradece aos patrocinadores

Agradecimentos especialíssimos à Eneida (tengavolantes.blogspot.com), Rafa, Iza, Pai, Mãe, Tia Rita, Yeda (papaleguasrun.blogspot.com), Railer (raileronline.blogspot.com), Marcelo, outro Marcelo, Lud, Nanda, Carlos, pessoal da Pé de Pano... E se eu esqueci alguém, eu tô fu... fuminado!
Valeu galera!

Esses loucos que correm...


Eu conheço-os.
Tenho-os visto muitas vezes.
São especiais.

Alguns saem de madrugada e empenham-se em ganhar ao sol.
Outros apanham o sol ao meio-dia, cansam-se à tarde, ou tentam não ser atropelados por um caminhão à noite.

Estão loucos.

No verão correm, trotam, transpiram, desidratam-se, e finalmente cansam-se … só para desfrutar do descanso.

No Inverno tapam-se, abrigam-se, reclamam, arrefecem, constipam-se e deixam que a chuva lhes molhe a cara.

Eu vi-os.

Passam rápido ao longo da alameda, devagar entre as árvores, serpenteiam caminhos de terra, trepam calçadas, fazem jogging na curva de uma estrada perdida, fogem das ondas na praia, atravessam pontes de madeira, pisam folhas secas, sobem montes, saltam charcos, atravessam parques, chateiam-se com os carros que não travam, fogem de um cão e correm, correm e correm.

Ouvem música que acompanha o ritmo dos seus pés, ouvem os padeiros e as gaivotas, ouvem os seus batimentos e a sua própria respiração, olham em frente, olham para os pés, sentem o cheiro do vento que passou por entre os eucaliptos, a brisa que saiu do laranjal, respiram o ar que vem dos pinheiros e abrandam ao passar em frente do jasmim.

Eu já os vi.

Não estão bons da cabeça.

Eles usam ténis com ar e sapatilhas de marca, correm descalços ou gastam sapatos. Transpiram tshirts, usam gorros e medem o seu próprio tempo.

Eles estão a tentar ganhar a alguém.

Trotam com o corpo solto, passam perto do cão branco, aceleram a seguir à coluna, procuram uma torneira para se refrescarem... e seguem.

Inscrevem-se em todas as corridas... mas não ganham nenhuma.

Começam a corrida na véspera, sonham que correm e levantam-se como as crianças no dia de Natal.

Prepararam as roupas que descansam sobre uma cadeira, como fizeram na sua infância na véspera das férias.

No dia anterior à corrida comem massa e não bebem álcool, mas são recompensados com ousadia mal a competição termina.

Nunca consegui calcular-lhes a idade, mas provavelmente têm entre 15 e 85 anos.

São homens e mulheres.

Não estão bem.

Começam em corridas de oito ou dez quilómetros e antes de começar sabem que não podem vencer, mesmo que faltem todos os outros.

Sentem a ansiedade antes de cada partida e alguns minutos antes do início eles precisam ir à casa de banho.

Ajustam o cronómetro e tentam localizar os quatro ou cinco a quem é preciso ganhar.

São as suas referências da corrida: "Cinco que correm como eu."

Basta chegar à frente de um deles e será o suficiente para dormir à noite com um sorriso.

Usufruem enquanto ultrapassam outro corredor... mas encorajam-no, dizendo-lhe que falta pouco e pedem-lhe para não abrandar.

Perguntam pelo abastecimento de água e ficam irritados porque não aparece.

Eles são loucos, sabem que têm nas suas casas a água que precisam, sem esperar pela entrega de uma criança que levanta um copo à medida que passam.

Queixam-se do sol que os mata sol ou da chuva que não os deixa ver.

Estão mal, eles sabem que há perto a sombra de um salgueiro ou o resguardo de um beiral.

Não as preparam... mas eles têm todas as desculpas para o momento em que atingem a meta.

Não as preparam... são parte deles.

O vento estava contra, não corria uma gota de vento, as sapatilhas eram novas, o circuito estava mal medido, os que entraram à frente não deixaram passar, o aniversário de ontem à noite, a costura na meia sobre o pé direito, o joelho a trair-me outra vez, arranquei muito rápido, não deram água, no fim ia acelerar mas não quis.

Gostam de começar a correr e quando chegam levantam os braços, porque dizem que conseguiram.

Ganharam mais uma vez!

Eles não percebem que perderam para cem ou mil pessoas... mas insistem que voltaram a ganhar.

São invulgares.

Inventam uma meta em cada estrada.

Ganham a eles próprios, aos que insistem em olhar para eles desde a calçada, aos que os vêm na TV e aos que nem sequer sabem que existem loucos que correm.

Tremem-lhes as mãos enquanto furam a roupa para colocar os dorsais, simplesmente porque não estão bem.

Eu já os vi passar.

Doe-lhes as pernas, sentem cólicas, custa-lhes a respirar, sentem pontadas nas costas... mas seguem.

À medida que avançam na corrida os músculos sofrem cada vez mais desfigurando rosto, o suor escorre pelas suas caras, as pontadas começam a repetir-se e dois quilómetros antes da meta começam a perguntar o que estão ali a fazer.

Não seria melhor serem um dos sábios que batem palmas na calçada?

Estão loucos.

Eu conheço-os bem.

Quando chegam abraçam-se à sua mulher ou ao seu marido para esconder o puro amor da transpiração do seu rosto e do seu corpo.

Esperam-nos os seus filhos e até algum neto ou mesmo o carinho de um avô que grita solidário quando eles passam a linha da meta.

Trazem uma placa à frente que pisca e diz "Cheguei - Missão Cumprida. "

Apenas bebem água e molham a cabeça, quase se atiram para a relva para recuperar, mas depois param, porque são saudados por aqueles que chegaram antes. Tentam atirar-se de novo mas param porque têm que saudar os que chegam depois deles.

Tentam empurrar uma parede com as duas mãos, levantam a perna desde o tornozelo e abraçam outro louco que chega mais suado que eles.

Tenho visto muitas vezes.

Estão mal da cabeça.

Eles olham com carinho e sem lástima o que chega dez minutos depois, respeitam o último e o penúltimo porque dizem que são respeitados pelo primeiro e pelo segundo.

Aproveitam os aplausos, mesmo que vejam no fim ganhando apenas à ambulância e ao tipo da moto.

Juntam-se em equipas e viajam 200 quilómetros para correr 10.

Compram todas as fotos que lhes tiram e não percebem que são iguais às da corrida anterior.

Penduram as medalhas pela casa para que quem a visita possa vê-las e pergunte. Estão mal.

"Esta é do último mês” dizem, tentando usar seu tom mais humilde.

"Este é a primeira que ganhei” dizem eles, omitindo que as distribuíam a todos, incluindo o último a chegar e o polícia de trânsito.

Dois dias depois da corrida muito cedo já saltam por cima das poças, escalam as cordas, movem os braços ritmicamente, acenam aos ciclistas, batem as palmas das mãos com os colegas com quem se cruzam.

Dizem que poucas pessoas, hoje em dia, são capazes de ficar sozinhos - consigo mesmo - uma hora por dia.

Dizem que só os pescadores, nadadores e alguns mais.

Dizem que as pessoas não estão usufruindo tanto do silêncio.

Eles dizem que gostam dele.

Eles dizem que projectam e fazem balanços, que se arrependem e se congratulam, que se questionam, preparam os seus dias enquanto correm e conversam sem medo com eles próprios.

Eles dizem que os outros inventam desculpas para lhes fazer companhia.

Eles estão mal da cabeça.

Eu já os vi.

Alguns apenas caminham... mas um dia... quando ninguém está a olhar, animam-se e correm um bocadinho.

Em poucos meses começam a transformar-se e ficam tão loucos como eles.

Esticam-se, olham, rodam, respiram, suspiram e atiram-se.

Aceleram, abrandam e voltam a acelerar.

Eu acho que eles querem vencer a morte.

Eles dizem que querem vencer na vida

Estão completamente loucos.

por Marciano Duran - Eso locos que corren - 2008 - tradução Alfredo Falcão

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Problemas





"Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender a situação."


Há sete dias não consigo tempo para escrever aqui no blog. Isto é uma pena, sobretudo por dois motivos: primeiro porque meus cinco leitores podem ficar decepcionados (ou não!!!) por acessarem e verem até hoje a mesma postagem da semana passada; e segundo porque o blog tem funcionado como uma válvula de escape, uma forma que encontrei sem querer para escrever tudo que me vem à cabeça (esta a razão pela qual não falo só de corrida).
Assim, mesmo no curto período de vida do blog, já escrevi textos nos mais estranhos lugares. Escrevi vendo TV, escrevi no shopping, no carro (um dia em que fiquei preso na estrada por causa de um acidente), no banehiro... Já escrevi até no hospital!
O legal é que, quando acabo um texto, me sinto leve, tranquilo. É como se eu estivesse conversando cara a cara com todos os meus cinco leitores, de uma só vez. Dá uma calma...

Meu Treino de 6/12

E as coisas estavam indo relativamente bem até a quarta-feira passada, quando o mundo caiu bem em cima da minha cabeça. Fiquei sem tempo pra nada! A coisa ficou tão feia, que até pra ir ao banheiro era preciso um certo "planejamento".
Tudo piorou tão repentinamente porque meus problemas - que não são poucos - começaram a ter vida própria. É verdade! Normalmente, eu tenho problemas na construtora pela manhã, depois vêm os problemas do Sistema. Á noite são as questões familiares, coisas para consertar em casa, um menino que quer atenção aqui, uma esposa me mandando trocar a lâmpada ali... Mais tarde, tenho os problemas da consultoria, e depois é hora de tomar banho e ir deitar, esperando sem muita ansiedade, pelos novos problemas, que nascerão no dia seguinte.
Só que, na semana passada, ficou tudo misturado: ao invés dos problemas formarem a tradicional fila indiana e ficarem aguardando pacientemente por mim, eles discutiram entre si, e a coisa virou um tumulto só!
Os problemas pequenos, que normalmente têm prioridade na minha agenda, estavam sendo pisoteados pelos problemas grandes. Uma verdadeira maldade!
Os problemas graves misturaram-se com os urgentes, cada um se achando mais importante que o outro. Os problemas fêmeas, normalmente tão acanhados, partiram para cima dos problemas machos, foi a promiscuidade problemática. Até os probleminhas insignificantes e nanicos começaram a dar uma de "baixinho invocado".
Segunda volta do treino de 8/12 - Deliciosa!

Ah! Como você, caro leitor, seguramente também tem (ou ao menos já teve, caso seja atualmente funcionário público) problemas, com certeza já sabe que - se nós não resolvemos nossos problemas - eles se multiplicam. É a teoria Darwiniana da Evolução-multiplicatória-problemática. Foi o que ocorreu na minha vida. Bastou deixar os problemas juntos um pouquinho só, e a coisa toda virou de cabeça para baixo! Apareceram até problemas moderninhos, aqueles de piercing na orelha, cabelo de franjinha e sexo indeterminado.

Sem saber por onde começar, passei pelas três fases do ser humano desesperado: primeiro fiquei em pânico total, depois entrei em depressão profunda (um dia até chorei dentro do carro) e na fase 3 joguei tudo pro alto e fui correr na rua, que é lugar quente.

Terça feira corri 6km, ainda com as pernas doloridas da volta da Pampulha (bons tempos aqueles!!!)
Na quarta os problemas fizeram "barreirinha" e me impediram de sair do trabalho a tempo de correr.
Quinta feira consegui correr 8 deliciosos km pela orla da lagoa, e no domingo fiz 15km.
Ontem foi dia de descansar. Hoje, se Deus quiser - e os problemas deixarem - pretendo correr mais 8km. Estou até animado porque, se tudo der certo, correrei na parte oposta da lagoa à que costumo treinar, perto do Mineirão e da Igreja de S. Francisco (onde correm os ricos e famosos!).
Mas deixe-me ir, que ainda tenho muito problema pra resolver até o final do dia. E à noite ainda há a reunião da morte com o povo de São Paulo pelo skype.
O texto mal acabou, e eu já tô ficando deprimido de novo...

Ok, eu já posso até ouvir seus pensamentos, leitor amigo: Já consigo prever seus comentários aqui no blog. Sei que, certamente, você me encorajará, dizendo coisas verdadeiras, profundas e sábias como:
"é mano! Ema ema ema, cada um com seus 'pobrema'"
Muui amigo, você, hein? Deixa quieto!
É como diziam os antigos Romanos: "Emus Vobiscum, Corolarium Est! Madeirum Musicalis Cantarola Sifum-Cabeçadum Manoelis" (cê num resolve suas coisas sozinho não procê ver! o pau vai cantar bonito pra cima docê. Mané.)
15Km do domingo nublado. Tinha muuuuita gente correndo!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Volta da Pampulha 2011


Domingo, 4 de Dezembro. O despertador tocou as 6 da manhã e, diferentemente dos anos anteriores, eu não senti o friozinho na barriga. Estava muito animado, mas não havia ansiedade.
A turma toda lá de casa levantou cedo e fomos juntos para a Lagoa. O tempo estava perfeito para correr: o céu estava nublado, mas não havia chuva.
Combinei com meu amigo, parceiro de corridas e grande incentivador no projeto Maratona 2012, o Carlos Diniz, de nos encontrarmos na casa da minha cunhada.
Saindo da casa da Lud

De lá, caminhamos cerca de 1km até a largada, num delicioso clima de festa. Só quando entrei pela grade que separa os participantes da "torcida", é que caiu a ficha: eu estava lá de novo! Ia acontecer tudo novamente. Como nos anos anteriores, a família estava junta; os amigos animados. E o vovô aqui teria 18km pela frente.
Mar de gente

Dei um beijo nos meninos, outro - este um pouco mais caprichado - na esposa, e comecei a corrida.
"Comecei a corrida" é força de expressão porque, como éramos 13 mil pessoas na rua, tivemos que caminhar um bom tempo até a multidão começar a se dispersar. Eu mesmo só fui passar pelo pórtico de largada 5 minutos após o início oficial da prova. 
Eu e a Iza

Eu e o El

É nóis!

Cabe uma explicação: para quem não está familiarizado com o maravilhoso mundo das corridas, cada corredor leva um chip eletrônico preso ao tênis, e o tempo de cada participante é medido individualmente por um sensor preso a um tapete no chão. Por este motivo, passar "atrasado" pelo local da largada não é um problema, já que o que "vale" é o tempo líquido de cada um de nós.
o Guerreiro Indo para a batalha

Desde que fiz minha inscrição, decidi que não tentaria bater nenhum RP (RP=Recorde pessoal: nossa melhor marca em determinada corrida) nesta edição. Ao contrário, eu queria curtir a "festa". Meu objetivo era apenas percorrer todo o trajeto sem ficar exausto.
Está ficando apertado aqui, não?!

Liguei o ipod (companheiro inseparável nas corridas) e segui ao lado do Carlos pelos primeiros 6 km. Era gente que não acabava mais!
Carlos faz suas orações e ergue o braço para o deus-Hermes  


Após o sexto km, o Carlos aumentou o ritmo e decidi deixá-lo ir. Mantive meu passo e, como o ritmo estava muito confortável, minha imaginação voou!
Dando um joinha para a câmera da globo (vai ser brega assim lá em casa!)

Durante uma hora, 52 minutos e 52 segundos fiz planos para 2012, pensei nas coisas que fiz durante este ano; comemorei mentalmente os acertos, me lamentei pelos erros que cometi. Sonhei, planejei... Pensei nos meus amigos, nos meus pais, nos filhos, esposa. Lembrei com carinho daquela que escolhi para minha "Madrinha de Corridas". Pensei no trabalho; pensei no outro trabalho; na construtora; na consultoria...

Em determinado momento, me pus a relembrar o jantar da antevéspera, quando saí com a família para comer uma pizza (para as noites de sexta, recomendo um zilhão de vezes a pizza do restaurante Fazendinha!).
Durante o jantar, eu falei do trabalho (eu SEMPRE falo do trabalho) e da expectativa para a corrida. Minha esposa falou da vida dela, o El falou do Judô, a Iza da escola. E ai um fato raríssimo aconteceu: estávamos conversando sobre um assunto qualquer, e a filhota adolescente, não só expôs sua opinião, como falou durante a noite inteira! Eu ADOREI aquela conversa com ela! Pela primeira vez, eu me dei conta de que não estava conversando com uma menina, mas com uma pessoa adulta, e muito inteligente (puxou o pai, essa garota!!!)
Foi uma noite incrível. Foi simples, mas foi inesquecível para mim.

O certo é que, quando acordei do devaneio, já estava passando pelo quilômetro 15! Mesmo assim, preciso confessar que fui um corredor mega-relapso: não fiz força alguma para me concentrar na prova. Aumentei o som da Shakira (waka-waka, se me lembro bem) e segui em frente "na paz".
Peguei correndo dois copos de água em um posto de hidratação (havia bastante água e banheiros químicos espalhados pelo percurso) e me molhei com o primeiro. Nesta hora o pensamento voou novamente e me lembrei de alguma bobagem que falei pro Marcelo no trabalho. O problema é que lembrei disso bem na hora em que eu ia tomar um gole da água do segundo copo. Resultado: me engasguei! Foi uma cena meio nojenta (pessoas mais sensíveis devem pular daqui para o próximo parágrafo): tive que cuspir a água para não piorar a situação engasgatória, e ficou parecendo que eu estava... vomitando!
Um monte de gente ficou olhando com cara preocupada, mas como eu não diminui o ritmo, devem ter pensado que estava tudo bem e que havia sido apenas um surto de loucura, já que - felizmente - ninguém tentou me socorrer.

Carlos correndo os últimos metros com seu filho
Faltando um quilômetro para o final, encontrei minha cunhada com o marido e o filhinho Miguel. Toquei na mãozinha dele e segui em frente.
Nos 500 metros finais vi minha esposa e os filhos. Tentei bater na mão do El, mas não deu tempo (droga!). Terminei a prova com uma sensação boa, um sentimento de que tudo funcionou bem.
abraçar pode, mas beeeem de longe

Voltamos caminhando para a casa da minha cunhada, e todo mundo foi obrigado ficar me ouvindo falar da corrida.
Essa foi minha última prova do ano e, ao me despedir das corridas de 2011, me despeço também do meu tênis Nike Vomero - que correu comigo provas memoráveis como os 20km de Paris e a meia-maratona de BH.
O equipamento que quase ganhou vida nos meus pés vai agora ser aposentado (por causa da falta de amortecimento) das corridas.
Para correr em 2012, comprei um Mizuno hawk (tenho um wave Creation 10, mas não gostei de correr com ele). Espero que ele me traga tanta sorte quanto seu antecessor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bolhas!!!


Faltam apenas dois dias para a Volta da Pampulha, mas as coisas não estão boas.
Sinto-me como o aluno que está prestes a entrar de férias, mas que nem se dá conta disto, por causa das provas finais.
Minha vida está um caos. Problema aqui no trabalho, problema na empresa lá de SP em que presto consultoria. Poucos, mas urgentes problemas na construtora, problema em casa... E tudo é "pra ontem".
Aliás, "urgente" parece ser a palavra do momento! Ainda há pouco meu telefone tocou. Era um usuário com um "assunto urgente". Mal começo a falar e toca o celular. um segundo usuário esatava com um "caso de vida ou morte". Incorporo imediatamente o espírito da atendente de telemarketing ("um minuto, Senhor, enquanto localizo seu cadastro" - troca para o celular - "Senhor em que posso..." "Um minuto senhor enquanto verifico..."). Eu já nem sabia mais quem era quem, quando toca o celular número 2. Olho no visor e era ninguém menos que o PRESIDENTE DA EMPRESA. O cara ("cara" não! lave sua boca suja quando pronunciar o nome dO Todo-Poderoso, Senhor-Do-Ceu-E-da-Terra- Bendito-Seja-seu-Santo-Nome-e-santificado-seja-o-salário-que-me-paga - amém) NUNCA - nunca mesmo - fala diretamente comigo. Mas justo naquele momento de dor e sofrimento tinha que me ligar!
Mando os dois primeiros calarem as respectivas bocas e dou total atenção a Deus-Pai, esboçando um humor de quem acabou de ganhar na loteria.
Deus-Pai me dá algumas ordens e desliga.
Volto para o celular número 1. Começo a falar e lembro do telefone em cima da mesa. Troco para o outro telefone... Em dado momento ocorre o que já era de se esperar:
Simplesmente falo para o usuário número 1, que era "apenas" que o Gerente (o GE-REN-TE!) de produção da fábrica: "pode dar entrada na Nota agora, 'meu chapa'". Só que esta fala deveria ser para o usuário número 2, cinquenta e oito graus abaixo do primeiro na escala hierárquica daqui.
Tento me desculpar com o gerente pelo "meu chapa", mas a lambança já estava feita.


Ufa! Desabafei!
Até que esse negócio de escrever blog é bom!

Mas agora falando de um outro tipo de "correria", anteontem à noite finalmente voltei a correr!
Fiz 9km na esteira (tive que apelar para a academia porque estava chovendo). Desta vez levei comigo um mega fone de ouvido, que eu havia comprado para ver filmes no avião. Apesar de eu ter ficado como um ET na academia (deu pra ver pq minha academia parece um mhotel: tem espelho pra todo lado) valeu a pena, porque o fone funciona como um abafador. Pude curtir as músicas do ipod sem interferência alguma do bate-estaca da academia.
Saí da esteira, fui pra casa, tomei um banho rápido e entrei no skype. Reunião com o sujeito de São Paulo até quase 11 horas da noite. Foi pedreira.
Acordei um caco. Ontem não pude correr porque tinha que dar um pouco de atenção à família (a filha quer trocar de cabeleireiro. Quem é mulher sabe que é preciso um planejamento estratégico, com muitas reuniões e debates, para que esta difícil decisão seja tomada. Quem é homem, mas tem mulher em casa, sabe que nessa hora a gente tem que sentar, ouvir pacientemente, e emitir não uma opinião, mas um parecer jurídico sobre o tema - em que pese o fato de que elas farão justamente o contrário do que sugerirmos).
Mas não desligue ainda! Eu deixei para o final a melhor-pior parte, o cúmulo dos cúmulos: eu consegui ganhar uma bolha correndo na esteira! é mole?
Puxa-que-saiu! Sou o mais azarado de todos os corredores azarados do mundo. Do mundo não, do UNIVERSO!
Como eu tive que trocar de roupa correndo para ir à academia (por causa da reunião mais tarde), peguei uma meia qualquer e calçei de qualquer jeito. Resultado: fiquei com uma bolha, não na sola, mas - pasme! - na ponta do dedo do pé!!!
Felizmente já está diminuindo, e acho que vai dar pra correr a Pampulha tranquilo.
A conversa até que está boa, mas tenho que voltar pro trabalho, porque o horário do almoço já acabou faz tempo.
Valeu pelo papo!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Lenta recuperação


Caro leitor,
É com alegria que comunico que hoje, após oito intermináveis dias de sofrimento e tortura por causa da fortíssima gripe (hummm... "fortíssima"!!! que 
dodói!!! - nós homens adoramos aumentar nossas dores, né? :)  ) que me pegou, finalmente consegui voltar a respirar pelo nariz!
É quase como voltar a viver! Hoje cedo pude sentir o perfume da minha mulher. No almoço, percebi o aroma gostoso da comida...
Ah, maravilhosa vida cheirativa!!!
Há dois dias não tenho mais febre e minha garganta parece ter desinflamado por completo. Hoje à noite farei meu primeiro treino pós-gripal. Estou contanto os minutos de tão ansioso! Quero ir logo pra corrida.
A conseqüência mais grave da gripe foi ter me feito parar de treinar justamente nas últimas semanas antes da Volta Internacional da Pampulha (leia mais em "XIII Volta Internacional da Pampulha"), que acontecerá no próximo domingo, dia 4.
Aliás, quero aproveitar a oportunidade para convidar todos os meus quatro leitores (quatro não! agora o blog tem CINCO leitores! Agradecimento especial à nova leitora, a corredora e blogueira Yeda - http://papaleguasrun.blogspot.com - pelo comentário e pelas dicas de prevenção à gripe) para acompanharem e torcerem pelo aspirante a corredor que escreve estas linhas.
Se não chover, talvez a gente possa até combinar de comer uma pizza no almoço, hein? Que tal Carlos?   Que tal "Madrinha" tia Rita?   Lud? Marcelo? Carlos? Mãe? E ai, quem anima???

Sabe, com o ritmo puxado de treinamento que eu estava seguindo (por causa do foco na 1a maratona), percorrer os 18km da lagoa da Pampulha não seria tão difícil. De fato, fiz este trajeto várias vezes em meus treinamentos, nos "longões" dos finais de semana.
O problema entretanto, é que a paralisação forçada nos treinos imposta pela maldita gripe, me deixou com receio. Ainda sinto o corpo fraco, a cabeça ainda dói, e ainda me acompanha aquela sensação de cansaço, típica da gripe.
De qualquer forma, eu vou correr esta prova. Com sol, com chuva, com ou sem gripe - eu vou nessa! Não vou pra fazer um tempo recorde, nem pra testar meus limites. A questão é que, para mim, participar desta corrida é estar numa festa. Estou falando sério!
Eu me lembro que, na primeira vez que corri a volta da lagoa, meus pais assistiram pela TV e depois ligaram para minha casa preocupados, querendo saber se eu estava bem...
No segundo ano, meu pai foi com minha mãe até uma parte da orla. Ficaram lá esperando um tempão, só para me verem passar.
Lembro de outra vez, em que minha mulher foi com meus filhos, cunhadas e amigos. Naquele ano, eles acompanharam do meu lado a largada da prova. Depois que comecei a correr, eles se deslocaram para o PIC, que fica no 15o KM - sem eu saber. Após o 14okm eu estava quase desistindo, pensando na insanidade que era fazer aquilo debaixo do sol forte. Um pouco antes de parar, eu olhei pra frente e os vi! Aquilo funcionou como uma injeção de ânimo na veia! Minha filhota me estendeu a mão e eu toquei. E continuei correndo até o final. Levei mais de duas horas para terminar aquela prova, mas poucas vezes fiquei tão contente na vida.
Na penúltima edição, estava chovendo pacas (alguém além de mim já ouviu esta gíria???!!!). Mesmo assim, minha parceira de sempre estava lá. Quando passei pelo km 16 e vi de longe uma moça loura usando umas botas ("galochas", ela disse) muito coloridas, a roupa e a sombrinha combinando, não tive dúvida: "é a minha mulher! Só pode ser!" E era ela mesmo! Só quem conhece a Eneida sabe o sacrifício que foi pra ela ficar "plantada" debaixo da chuva até eu passar.

Nem sei porque escrevi este último parágrafo. Eu estava falando da gripe, já tinha até colocado o título, mas as lembranças foram surgindo... Se me permitem, vou deixar o texto como está. Fico aqui pensando se não são estes "fragmentos", estas "fotografias", lembranças de momentos importantes pelos quais passamos, que fazem a vida ter sentido... Correr é bom!
Bora correr comigo?
É falow!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

É por isto que eu corro


"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo
Não viva de fotografias amareladas
Continue, quando todos esperam que V. desista.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.
Mas nunca se detenha."
Madre Teresa de Calcutá

É por isto que eu corro.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sedução



Ainda era madrugada quando ela chegou. Acordei assustado, como quem teve um terrível pesadelo. Levantei e fui até a cozinha tomar água.
Abri a geladeira e pensei aliviado: "Ainda bem, foi só um sonho ruim!" Mas poucos segundos depois e lá estava ela. Não era sonho, ela era real e havia voltado para mim.
Eu não quis acreditar. Voltei pra cama tremendo, me deitei sob o edredom, fechei os olhos e só acordei quando o sol nasceu.
Por um instante pensei que estava livre! Minha mulher me despertou com beijo rápido e saiu da cama rumo aos seus afazeres.
Fiquei só por não mais que uns poucos segundos, e então senti sua voz sussurrando em meu ouvido: "fique comigo mais um pouco aqui na cama, sua esposa já saiu..."
Naquele instante um fogo ardente tomou conta de mim, meu corpo inteiro queimava! Eu queria me entregar, queria quedar-me em seus braços...
Lutei comigo mesmo. Aquilo não podia ser real!
Em minha agonia, falei alto: "Não! Não me atormente! Tenho família, tenho trabalho a fazer, tenho que treinar para a maratona..."
"Ah, vovozinho fofo, fique mais um pouco! Não vê que a cama está tão quentinha?!"
E ela tinha razão. De fato, aquele ambiente estava me convidando a ficar ali com ela, talvez por todo o dia...

Mas eu reagi! Pulei da cama, tomei um banho morno e corri pro trabalho.

Não sei como ela chegou aqui. Como teria descoberto onde trabalho, onde moro? Como?
Sutilmente, ela me convidou para tomar um drink, e ai eu me entreguei. Preparei um delicioso chá de hortelã bem quente, só para nós dois, e então me deixei levar...
Nada de trabalho, nada de programas complicados, servidores dando pau, usuários neuróticos... Eu era todinho dela.
Assim como ela era minha.
A minha gripe.

Há momentos em que ela me deixa ardendo de febre. Em outros, tenho calafrios. A garganta dói tanto que mal consigo engolir saliva.
Sei que vou levar uma bronca da esposa quando chegar em casa. Só espero que ela me perdoe por ter dormido sem camisa, por ter ido até a cozinha descalço, por ter tomado água gelada.
Ah, corredor infiel que sou!
Meu treino de hoje já era. Eu estou perdido. Mas a você, leitor, talvez ainda reste uma esperança. Não se iluda! Não se deixe cair nos encantos da gripe. Ela é sedutora, vai tentar fazer você tomar sorvete, beber gelado, sair na chuva.

Você deve ser forte! Resista! Não faça como eu, não caia no conto desta gripe megera. Corra dela!
Mas se ainda assim, você acabar tendo um encontro com a moça-gripe, ao menos use proteção!
Não faça como eu: não ande sem chinelos, não fique sem camisa (especialmente se seu peito teve uns pedaços raspados por algum médico sem-coração, no teste de esforço). E tenha seu roupão sempre à mão.
O mais importante: gripado ou não, seja feliz!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A importância do sono na recuperação muscular

Uma reportagem publicada hoje no site da webrun chama atenção para um aspecto interessante e, por vezes, desprezado por muitos corredores: a qualidade do sono.

Segundo Hanna Karen Antunes, do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, “Pesquisas indicam que o exercício físico regula a temperatura corporal e os neurotransmissores de nosso cérebro. Com esses ajustes, o sono seria mais reparador e eventuais distúrbios do sono seriam minimizados. O sono teria mais qualidade e seria melhor aproveitado”.

De acordo com o fisioterapeuta David Homsi, autor do artigo na revista, não só a corrida ajuda o sono, como também o sono ajuda na prática do esporte. Para ele, "O principal benefício do sono na corrida é a recuperação muscular e celular que ocorre quando dormimos. Se esse descanso for insuficiente, podemos ter queda de performance ou entrar em síndrome de supertreinamento ( overtraining)", finaliza Homsi.

A reportagem afirma ainda que, um déficit prolongado (mais de 36 horas acumuladas) de sono pode reduzir a performance cardiovascular em até 11%. "Se você precisa de oito horas de sono, 18 dias dormindo seis horas diárias trariam essa queda".

Outro aspecto diz respeito à Estabilidade emocional: "mesmo que fisiologicamente não haja perdas numa noite mal dormida, a sensação de fadiga afeta o humor e pode atrapalhar a performance.
“A sensação de cansaço interfere na escala subjetiva de esforço. A sensação é de que o treino está mais pesado do que está”, diz Hanna Karen. "Descansados, nos sentimos mais fortes e com mais vontade de superar nossos limites".

Além de concordar com todos os pontos apontados pelos doutores que assinam a coluna, fiz também meus próprios estudos científicos, e estes indicam que há mais dois fatores que interferem diretamente tanto no sono, quanto na performance esportiva:
- o primeiro é a falta ou deficiência de disponibilidade monetária (conhecida nos meios não-acadêmicos como pindaíba, bolso vazio, sem-um-tostão-furado ou, simplesmente, falta de dinheiro mesmo), que influi diretamente na qualidade do sono, porque ninguém consegue dormir tendo muita conta pra pagar;
Sem dinheiro, o atleta fica também mais susceptível a lesões. É sim! Com o preço dos tênis de corrida nas alturas, o corredor miserê acaba apelando para um "bamba" ou "kichute". Ai é só apertar um pouco o passo e pronto! Qualquer pisada em falso e é pé-torcido na certa! É ou não é?

- da mesma forma que a falta de grana, a ausência prolongada de... é... bom, você sabe, de.. "exercícios funcionais" ou "alongamentos" antes de dormir interfere direta e drasticamente na eficiência do atleta. Os (bons) médicos atuais vêm prescrevendo - no mínimo - 7 (eu disse SETE! No MÍ-NI-MO!) sessões de exercícios noturnos semanais. Daí a importância fundamental de nossas esposas no... é... no treinamento para a primeira maratona.
Falei? 

domingo, 20 de novembro de 2011

Mudança de Planos


"O rio atinge seu objetivo porque aprendeu a contornar os obstáculos"

A semana passada foi especialmente difícil para este aspirante a escritor/maratonista: o trabalho se multiplicou por mil, me apareceram problemas pra tudo que era lado, fiquei sem tempo até para escrever no blog e, para piorar, ainda tive DUAS segundas-feiras na mesma semana! Felizmente já passou.
Houve ainda outro motivo para eu ter passado tantos dias sem atualizar o blog. Descobri que não poderei viajar em Outubro para a Argentina, o que significa "adeus maratona de Buenos Aires 2012".

Fiquei tão chateado com esta constatação, que me faltou ânimo até para escrever. Pensei muito em alternativas, tentei mudar as prioridades... Nada funcionou.
Mas o sonho de correr a primeira maratona da minha vida continuou vivo. E com esta chama acesa na minha alma de corredor (essa frase ficou bacana, nénão?!) tratei de procurar outra prova que fosse tão significativa para mim quanto BUE, e que se encaixasse, tanto na minha agenda, quanto (e principalmente) no meu parco orçamento.
E descobri a... MARATONA INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO!!!

O desafio será muito maior, mas como diria um político mineiro, "isso dá pra fazer!"
A maratona do Rio - edição 2012 - acontecerá em 8 de Julho, o que significa que terei que estar totalmente preparado três meses antes do previsto.
Além disto, mesmo ocorrendo em Julho, a prova é disputada sob calor (o clima no Rio em Julho é, historicamente, bem mais quente do que em BUE em outubro).
Entretanto, o percurso é tão - ou talvez até mais - bonito do que na Argentina! A largada acontece no Pontal Tim Maia, início do Recreio dos Bandeirantes, e a chegada é no Aterro do Flamengo. Serão 42km correndo por um dos mais belos cartões postais do mundo.

Superado o trauma do cancelamento da viagem a los hermanos, me vi diante de outra parte ruim: como contar isto para o parceiro e principal incentivador, o Carlos?
Só hoje criei coragem pra ligar pra ele. E a ligação me fez ver que realmente não devemos sofrer com nada por antecipação: ao invés de ficar chateado comigo, o Carlos não só entendeu meu problema, como também ACEITOU MEU CONVITE, e irá correr comigo no Rio!
Fiquei tão animado que assim que desliguei o telefone, peguei o notebook e comecei a escrever este texto.
Agora peço aos amigos leitores que continuem me apoiando e incentivando, pois o desafio ficou ainda maior (e mais perto!).

Então vejamos a quantas está andando minha preparação maratonística:
Na quarta-feira, dia 16, corri 9km a 6min/km com frequencia cardíaca média de 80%. Completei o percurso em 52 minutos, mas foi um treino ruim: eu ainda estava muito chateado (talvez até deprimido) por causa do cancelamento de outubro e só ficava pensando em terminar logo o percurso.
Depois de quarta, Só tive tempo para correr novamente ontem. Mas ai eu já estava com a idéia do Rio/2012 na cabeça, e a corrida foi muito, mas muuuuiiiito melhor!
Dei a volta na lagoa da Pampulha em uma hora e 57 minutos. Mesmo tendo corrido à tarde (iniciei às 17horas - horário de verão) e sob o sol, eu ADOREI o treino. O setlist do ipod tinha uma seleção de músicas perfeita para o calor que estava fazendo, e tudo correu de forma impecável!
Desta vez, tive tempo de transferir os dados do GPS para o micro e salvar as telas que incluo neste post.
Se você não corre, mas gosta do esporte e pensa em correr um dia, eu recomendo totalmente o GPS Garmim! Não que seja um equipamento indispensável, mas é tão legal (ele te dá a distância percorrida, frequencia cardíaca, velocidade instantânea e média, dentre outras informações) que vale bem o que custa.
Agora tenho que ir. Estou no BHShopping (eu trouxe no laptop pra cá!) e minha mulher vai chegar do "tour às lojas" a qualquer momento, e ai é: "Perdeu Preibói!"

Agradecimentos especialíssimos à minha madrinha-maratonística, a tia Rita, que me apóia sempre, e que até cobrou o texto no facebook! Valeu pela força Tia Rita! 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Dia ruim


Dizia um sábio que as desgraças eram covardes , pois nunca se via uma sozinha

Você talvez tenha percebido que anteontem não escrevi aqui no blog. Não que faltasse assunto, a questão é que anteontem foi um dia do cão. Do cão mesmo! Sabe aquele dia em que tudo - absolutamente tudo - que você faz dá errado? Pois é. Anteontem foi pior que isto. Tudo deu errado, das piores formas e nos piores lugares.
A sorte é que já passou. E como passou, agora posso escrever e compartilhar o que sofri.

Antes, quero abrir parênteses para falar um pouco do blog e dos assuntos que nele  exponho:
Quando iniciei minhas atividades blogativas, a idéia era criar um "diário" contanto do meu percurso desde corredor de 200metros até a primeira maratona da vida.
No meio do caminho, lá pelos meses de abril ou maio, quando a coisa ficar feia e o desânimo bater forte - pode ser que a leitura dos passos iniciais que eu mesmo escrevi me dêem força e determinação para seguir em frente.
Além disto, imaginei que o blog poderá também me ser útil quando eu estiver (ainda mais) velho, e o Alzheimer vier me visitar. Terei um ano inteiro de textos para reler e me lembrar do tempo de treinamento.
Por fim, tenho dois filhos. Embora eu corra apenas e tão somente visando minha própria satisfação, pode ser que algum deles (ou talvez os dois, quem sabe?) se sinta inspirado (isto é, se eu realmente conseguir percorrer os 42km) por estas tantas linhas e resolva também adotar algum esporte como hobby.
Sempre digo que gosto de correr não por causa da saúde, nem porque emagrece, mas porque faz MUUUITO bem para a cabeça. Se eles descobrirem no esporte alívio para suas próprias angústias (muita gente só acha isto na bebida, no fumo ou nas drogas), o blog já terá valido a pena.

Mas o fato é que - assim que escrevi o primeiro texto ("Não é "texto", é "POST", dirá minha esposa blogueira high-tech") fiquei empolgado com a idéia e falei pros meus amigos o que eu estava fazendo. Como resultado, recebi um monte - mas um monte mesmo - de palavras de apoio e incentivo. E agora o blog também serve para contar a estes amigos (e a você que me lê) quanto do caminho já foi percorrido, e como foi.

Isto posto, voltemos ao dia fatídico de anteontem.
A noite de segunda havia sido marcada por (mais) uma torturante sessão de trabalhos forçados, digo, de musculação.
Assim, ao acordar, imaginei que o dia seria bom, pois terça é dia de corrida na rua e - ainda que chovesse - nada podia ser pior que o trabalho forçado na prisão da academia.
Mais podia sim. E foi!
Ao sair para o trabalho, fui desligar o notebook e - como não resisti - dei uma olhadinha antes na minha conta do facebook.
A terça-feira maldita começou ai.
No facebook há uma "coisa" no canto da tela que fica mostrando umas pessoas que "você talvez conheça". Estou off-line agora, mas acho que o nome que o zuckerberg deu pra isto foi "sugestão de amigos".
Pois é, eis que me aparece na tela um sujeito que eu não conheço pessoalmente, mas que já me prejudicou bastante. Fiquei triste em ver a foto do carcará lá e já fui logo puxando o fio do notebook pra desligá-lo depressa (Heloooo-ô! É óbvio que não adiantou nada! Notebooks têm bateria, ô sua loira oxigenada metida a aprendiz de maratonista!)
Aquilo foi um sinal dos Deuses da corrida! Eu deveria ter voltado para debaixo do cobertor (de onde, aliás, não deveria nem ter saído naquele dia) e ficado quietinho por lá. Mas NÃAAAAOOOO! "O que que é isto?!?!?" "Eu sou um cara comprometido, tenho filha pra levar na escola; obra pra tocar; trabalho pra fazer..."
E o santinho (ou seria o diabinho?) ainda falou no ouvido direito: "Ânimo! Afinal está escrito: "Não deixarás estas coisas vãs vos abater na jornada do cotidiano" (Delphi, cap. X Ver. 19) E lá foi o retardado aqui!
Pra piorar as coisas, meu colega de trabalho, o Marcelo, ainda resolveu fazer uma "viagem de negócios" a Brasília (negócios, sei!) e eu fiquei sozinho pra tomar conta do botequim inteiro.
E você pensa que isto já era ruim o suficiente? NÃAAAAOOOO!
TODO MUNDO (eu disse TO-DO-MUN-DO!) do meu trabalho resolveu "ter dúvida" bem naquela terça! Ô vida ingrata! Todos os computadores dos usuários deram pau. E todas as funcionárias (e alguns funcionários também) estavam de TPM e tinham "zilhões de trabalhos importantíssimos" a fazer.
E todas as carretas do universo cósmico intergaláctico iriam ser carregadas naquele maldito dia!
E todos os sites de todas as Receitas Federais de todos os países baixos (e médios; e altos) resolveram sair do ar.
E todos os funcionários da contabilidade resolveram achar que era o meu Sistema que tinha dado pau (nessas horas ninguém acredita num programador que fala que "é o site que está fora do ar"...)
Ah, e um detalhe bem pequeno: a suspensão do meu carro quebrou. De novo!

"Mas tudo bem", me disse o anjinho ao pé do ouvido direito, "a vida é feita de desafios, pois está escrito: Combatereis o bom combate (e o mau também), lutareis a batalha dos justos - e no fim regozijarás!" (visual basic, cap. XXI versículos 1 a 20)
- Seja lá o que for "regozijarás", deve ser uma coisa boa, pensei. "Vou enfrentar os problemas com determinação, vencê-los um a um, e no fim, me deitarei à sombra da grande árvore para "regozijar"...
E lá fui eu: levei o carro na oficina aqui perto; determinei a emissão das notas em contingência; ouvi atentamente as devidas ferradas do meu chefe... E fui levando, até que o dia de trabalho acabou.

"Agora é a minha vez!" Peguei o carro na oficina e nem dei atenção ao segundo sinal dos Deuses: o volante estava todo sujo de graxa! Aquilo foi o segundo presságio! Eu deveria ter notado e abortado tudo. Mas NÃAAAAOOOOO! "O pior já passou, agora é só curtir a corrida - e que se dane o retardado/imbecil/debilóide/babaca do cara no facebook..."
A planilha sagrada de treinamento (pausa para ajoelhar e fazer reverência. Atenção corredores: Devemos fazer isto sempre que mencionarmos o nome da sagrada planilha) mandava em seu capítulo XIX, versículo 12: "e correrás 8km sobre a terra; e manterás a velocidade de 6min/km; e então, triunfarás" (Java for Dummies, cap. XI ver. 15-17)
Estacionei em frente ao PIC, limpei as mãos de graxa na toalha "PelamordeDeus! Na toalha não!!!! quase ouvi minha esposa reclamando) antes de colocar o ipod e o relógio de corrida.
E lá fui eu. Fiz aquecimento rápido e parti sem dó para a festa!
A visibilidade, que é naturalmente ruim por causa das minhas lentes multifocais, estava ainda pior pelo fato de ser noite sem lua. Após correr uns 4 km, dei de cara com uma...  nuvem de insetos!
ECA!!!! ECA DUPLA!!! Que nojinho!
Mas tudo bem, os óculos multifocais protegeram meus olhos sensíveis do impacto com os seres inferiores! Terceiro sinal dos Deuses. Desta vez eu devia mesmo ter percebido e parado de correr. Mas, não só continuei correndo, como - por ter ficado puto da vida com os mosquitos desgraçados - ainda aumentei muito o passo.
Um kilômetro depois e... outra nuvem de insetos malditos!!! Só que desta vez eu estava cansado e correndo muito depressa. Quando fico assim, tenho tendência natural a correr de boca aberta. Ai acho que você já entendeu, né?
É. Foi isto mesmo.

Eu engoli um maldito pernilongo (da dengue?)!!!!
ECA!!! Só de pensar ainda fico com nojo!
Na hora eu quase vomitei! Juro!
Fiquei engasgando, sem saber direito se era pra   Engolir ou Cuspir... foi uma lambança.
E o santinho ainda soprou no meu ouvido direito: "Não te abaterás! Correrás até o último kilômetro da planilha sagrada, e no fim, triunfarás"!
"Grandes Mer#)@das, e que alternativa eu tenho? Meu carro tá longe, eu não trouxe dinheiro, e o cara que vende água no PIC vai embora já já". Eu nem precisava mais de santinho pra me dizer que o jeito era apertar o pé mesmo.
Obviamente que, como em toda terça-feira maldita, não deu pra chegar a tempo e o cara da água já tinha ido embora.
Entrei no carro suado, me sequei com a toalha cheia de graxa, e voltei pra casa com a cara pintada de Rambo. Puto da vida, com graxa na cara, e com gosto de mosquito na boca (pelo menos era mosquito, você dirá. Sacana, você, hein?!).
E eu me pergunto: Onde está o glamour na vida do aspirante a maratonista?
Ao chegar em casa, o santinho ainda voltou a soprar...
E eu me dei um tapa tão forte, que estou com a orelha direita inchada até agora.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

XIII Volta Internacional da Pampulha



"O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos."

1999 foi um ano particularmente difícil para o hoje destemido autor deste blog. Naquele século, eu pesava 90,5kg e minha barriga mais 8kg (o que dava um total de 98,5kg!).
No final daquele ano, fui parar no hospital com fortes dores na coluna. Após algumas semanas de tratamento e uma bronca feia do médico (Dr. Antônio Carlos, grande amigo com quem há muito não tenho contato - e que, praticamente, mudou o rumo da minha vida), passei a rever meus hábitos.

Comecei fazendo regime (eu nunca tinha - sequer - pensado nesta possibilidade!) e caminhadas diárias de 700 metros.
Não era nada fácil, mas eu estava me recuperando bem, e passei até a gostar das caminhadas na orla da lagoa.
Naquele tempo, corridas de rua eram raridade por aqui, de forma que a Primeira Volta Internacional da Pampulha, que seria realizada no final daquele ano, iria ser (como de fato foi) um grande acontecimento, com propagandas sendo veiculadas na TV o tempo todo.

Na sexta-feira que antecedeu a prova, eu estava tranquilamente fazendo minha caminhada de manhã, quando vi passar correndo do outro lado da rua, uma moça com short e camiseta da mesma cor que havia visto nas propagandas da TV.
Meu regime e meu "treinamento caminhatório" já datavam de mais de um mês, e eu me achava na melhor forma do mundo. Assim, foi natural o pensamento que me ocorreu: "caminhar é para os fracos; eu vou é correr!" E saí em disparada atrás da Dona.

É vergonhoso dizer que eu mal consegui aguentar uns 100 metros antes de parar com total falta de ar. Meus pulmões ardiam como se houvessem ingerido brasa. Minhas pernas estavam tão bambas que eu tive que me sentar no chão.
Lembro que um casal de velhinhos que eu cumprimentava diariamente, parou diante mim. O Senhor com ar muito preocupado perguntou se eu precisava de socorro (a mulher dele perguntou se eu havia sido assaltado!).

Não sei dizer quanto tempo fiquei ali sentado no meio-fio, a cabeça tombada entre as pernas.
Voltei pra casa com depressão nível 5 e naquele dia cheguei atrasado ao serviço.

No domingo, assisti a corrida pela TV pensando no que levaria um ser humano a maltratar seu corpo daquela forma. Qual seria a razão de tanto sofrimento? E COMO aquela gente aguentava correr tanto tempo sem parar?

Passada a corrida, ainda fiquei alguns meses só caminhando, mas havia uma vontadezinha batendo dentro da minha cabeça, alguma coisa falando que eu deveria tentar fazer aquilo.
Um dia tomei coragem e fui correr de novo. Olhei antes para saber se não havia por perto ninguém que eu conhecesse e saí em disparada.
Novamente: fracasso total! Não consegui percorrer nem 200 metros e fui direto para meu banquinho no meio-fio, o coração querendo sair pela boca.

Na semana seguinte, nova tentativa.
E na outra; e na outra.
Até que um dia eu consegui correr 1kilometro inteiro sem parar.
Que maratona oquÊ! Aquilo sim, foi uma vitória!

Eu VENCI!
Só havia uma frase na minha cabeça: "se eu consegui emagrecer e correr 1km sem morrer, eu posso fazer qualquer coisa nesta minha vida".

Acredite ou não, minha vida melhorou muito deste aquele ano.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Treino Intervalado



Hoje fiz um treino diferente, ele era... INTERVALADOOOOO!!!!! uhuul acho que você adivinhou isso antes dele escrever, certo ?

Pois é, cheguei à orla da Pampulha às 17 horas. O sol estava brilhando e a temperatura era de agradáveis 22 graus.
Larguei do Museu de arte e corri 2km à 7min/km, um ritmo bastante confortável para os meus 44 anos. Esta parte serve para aquecer os músculos e prepar

fala serio pai, eu sou muito legal ne ? <--

Como eu ia dizendo antes de ser interrompido pela minha filha "legal" aqui, o treino Intervalado é dividido em 3 fases. A primeira parte consiste em correr 2km num ritmo bem lento para aquecer os músculos e preparar o corpo para a fase seguinte.
Bom, meu pai está muito ocupado agora, então eu vou falar um pouquinho
Ele basicamente correu em velocidades diferentes (assim acredito) quase se matando em uma das fases, mas ele é um bom corredor, então ficou bem e ainda chegou em casa alegre!
Ele ainda por cima teve que cuidar de mim e não descansou, acho que ele precisa dormir...ops, ele está de volta:

Pois é amigo leitor, este agora é um blog coletivo e familiar. Mas deixe-me esclarecer a parada:
Estou escrevendo este post aqui do ambulatório do hospital. É que, assim que cheguei em casa, encontrei a gatinha co-autora deste texto com 39.5c de febre.
Só deu tempo pra tomar um banho e "correr" com ela pra cá (você está ficando de saco cheio desses trocadilhos, né? Como diz a Iza: "fala sério Pai!").
Ela foi examinada por um médico meio velho, mas que pareceu bem legal, não é Luíza?
- Não tenho nada contra o cara, só não gosto de ir ao médico e ainda por cima ele me mandou tirar sangue, péssimo!
Bom, desculpem-me pelas interrupções, elas não devem lhe interessar muito.

Voltei,
Já que este blog é sobre corrida de rua, vamos retornar ao treino desta tarde antes que eu perca todos os meus dois leitores.
É o seguinte ("é" não, FOI o seguinte - o treino já acabou faz tempo): ao final dos primeiros 2km, teve início a fase dois: correr 500metros com velocidade de 5:30 min/km e depois andar por 2 minutos para descansar.
A receita do bolo (também chamada de planilha de treinamento) manda fazer isto 4 vezes.
E vieram os primeiros 500 metros. E também o primeiro problema: apesar de estar com meu ultra-hight-teck-moderníssimo GPS garmin, eu não consegui controlar bem minha velocidade. Fechei os 500metros em 2min 28 seg, o que deu menos de 5min/km.
Quando chegar em casa, vou conferir o histórico do GPS e postar o gráfico e os tempos aqui, mas o fato é que a mesma coisa ocorreu nas outras 3 vezes: sempre corri os trechos de 500m abaixo de 5min/km.
Após os 4 semi-tiros, corri mais 2km de volta ao museu na velocidade de 6:40min/km. E isto é a outra coisa estranha: após ter feito os tais "tiros", eu perdi um mais pouco da noção de velocidade. A ideia era correr este último trecho a 7min/km, mas sempre que eu olhava no relógio, a velocidade estava mais alta que isto.
Quando retornei à base, ainda era dia (18hs, pelo horário de verão), então pude me assentar no meio-fio e apreciar o fim do dia na lagoa. Maravilha! (sem falar que o jacú aqui estava com o carro da esposa, e as leis internacionais exigem uns 10 minutos de "secagem corporal" antes do condutor ousar entrar no veículo do cônjuge feminino).

Tenho que confessar uma coisa: em mais de 10 anos de corrida de rua, esta foi a segunda vez que fiz este tal treino "intervalado". Na primeira acabei enfiando o pé num buraco e ficando sem correr por mais de um mês.

Fico pensando que talvez não dê para administrar um ano inteiro de preparação só com base em planilhas.
Além da beleza, da inteligência e da modéstia, tenho outra característica bem marcante: sou TEIMOSO pra danar.

Minha profissão me ensinou a ser autodidata (trabalho com TI e, quando estava na faculdade nos idos de 1985, o Windows ainda nem existia, de forma que tive que aprender sozinho tudo sobre a "informática moderna"). E aprendi a usar esta coisa "self-made" em tudo que faço.
Esta tendência de fazer tudo "sozinho e na raça" aliada à minha teimosia, faz parecer muito natural fazer eu mesmo minhas pesquisas internéticas, minhas consultas às revistas especializadas em corrida e, após isto, montar meu próprio cronograma de treinamento.

Entretanto, estou sentindo dificuldade em avaliar e controlar o resultado dos treinamentos.

Você que me lê e corre também, me diz ai: você corre com treinador? É legal?
Pergunto porque tenho receio de que uma certa "profissionalização" venha a tornar os treinos muito "burocráticos" (além de inflacionar o troço, lógico!), o que tiraria TODA a graça da coisa.

Agora vou ver se o exame de sangue da Iza ficou pronto.
Até amanhã, se Deus quiser.

 --//--

Hoje já é amanhã (se é que me entende). Chegamos em casa à meia-noite e graças a Deus a Iza tá bem.
Eu esqueci de trazer o GPS pro trabalho, de forma que vamos ficar sem o histórico do treino de ontem.
Hoje é dia de musculação (noite de musculação, na verdade). Se a filhota estiver ok, irei à academia depois do tradicional passeio com a Salva.
Tomara que dê tudo certo. Depois eu conto como foi.
Agora vou voltar ao trabalho, porque duas segundas-feiras na semana ninguém merece! Estou até ouvindo minha filha: "Fala sério, pai!" :)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Salva!



Na semana passada tive uma idéia brilhante! (na verdade, a idéia foi do Mestre de Obras, mas já que ele não lê meu blog mesmo...)
Além de correr na rua, eu também administro a VIZA Construtora Ltda (você sabe, os tênis de corrida estão caros, tenho que ganhar a vida... ). Como o ramo da construção civil está concorrido, tenho enfrentado muitos problemas com mão de obra.
E foi para solucionar de vez estas questões que deixei minha genialidade aflorar de forma surpreendente: "Chega de operários humanos problemáticos!", pensei. "O grande empreendedor precisa inovar; precisa estar sempre à frente do seu tempo! Vou contratar um funcionário... CANINO!"

Após analisar currículos e fazer algumas entrevistas, descobri a Salva - a garota da foto acima, no abrigo da Sociedade Mineira Protetora dos Animais. A contratação foi efetivada de imediato e Salva começou a trabalhar no mesmo dia.
Ao adotá-la, firmei o compromisso comigo mesmo de levá-la para passear ao menos duas vezes na semana (nos outros dias, um dos funcionários se comprometeu com a missão).
A essa altura do campeonato você já deve estar com aquela sensação de que foi enganado de novo, né?
Aquele pensamentozinho que você sempre tem na metade dos meus textos: "Mas que m... de blog sobre corrida é esse???? Agora o cara tá falando até de cachorro! Puxa que Caiu!"

Mas não desligue ainda!
O fato é que ontem era dia de musculação pela minha planilha sagrada, mas eu estava incapacitado pela tortura chinesa, digo, pelo alongamento da morte do Toninhoo (da Movimenta Acessoria Desportiva), sem falar dos 18km correndo do cachorro em volta da lagoa.
Assim, pensando em fazer uma malhação "mais leve", chamei meu filho e pegamos a Salva para passear.
Era noite e tudo estava "correndo" bem (esse trocadilho ficou horripilante!), até que os instintos predatórios da operária de 4 patas identificaram dois gatos pardos do outro lado da rua. Meu filho estava segurando a correia, quando foi literalmente (sem exagero!) arrastado por uns bons 3 metros.
Como pai zeloso que sou, sai em disparada para resgatá-lo antes que o coitadinho se estatelasse no chão. Saí não, na verdade eu PENSEI em sair, porque no momento de dar o pique, minhas pernas travaram! Virei uma múmia paralítica, "tipo" (odeio essa gíria) "tipo" aqueles caras que pintam o corpo para virarem estátuas humanas. Caraca, tava tudo doendo!!! Mas mesmo assim, consegui segurá-lo antes que o pior acontecesse (a cadela fugir, claro).
Dai em diante, passei eu mesmo a segurar menina. Nessa hora eu descobri que havia sido enganado, Salva não é uma cadela: é uma bezerra com motor 2.0 nas patas!

Meu braço direito e minhas pernas estão doloridos até agora...

Mas o grande empreendedor enxerga uma oportunidade em tudo! E eu acho que acabei de inventar um novo método revolucionário de treinamento maratonístico: chega de fartlek! Nada mais de intervalados! Fora a musculação convencional!
Senhores, a moda agora é o "treinamento canino".
Para quem estiver interessado, estou alugando a hora da Salva - que foi promovida a PAT - "Personal Animal Trainer": são 30 reais a hora com direito a massagem, isto é, lambida (aquela mesmo: com baba quente!) no final do "treino"! Se estiver interessado, favor trazer seus próprios gatos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Karatê Kid IX - A hora da verdade na Pampulha




"Quando a oportunidade bate à porta, algumas pessoas estão no quintal procurando trevos de 4 folhas."

Pensei nisto quando o pessoal da Movimenta Desportiva me convidou para correr o Longão com eles hoje. Pela minha planilha, eu deveria fazer 13km, mas pensei: "será uma ótima oportunidade para conhecer pessoalmente a turma da Pé de Pano, trocar idéias e aprender sobre corridas". E foi mesmo!

Como bom mineiro, cheguei no marco zero às 7:40 horas. Só o Carlos havia chegado. Conversamos por alguns minutos e logo apareceram o Toninho, meu Xará da Toninhoo Movimenta e a Kelly, moça simpaticíssima, de sorriso fácil e papo extremamente agradável. Conhecer o Toninho foi totalmente diferente do que eu estava esperando.
Como o Carlos havia me falado muito dele, eu criei a idéia de que ele e seus alunos seriam uma espécie de "elite", uma "tribo" que falaria muitos termos técnicos de corrida etc.
Mas o Toninho é o oposto disto! Dá atenção a todos que o procuram e, quando fala de corrida fica com um brilho diferente no olho. O cara gosta mesmo do que faz.
Pouco a pouco, foram chegando os demais Pés de Pano. Fui apresentado ao Emerson, atleta Pé de Pano que - simplesmente - GANHOU a 10Milhas Puma. Agora o mais incrível: o Emerson não tem nada de "eu-sou-o-bom". Pedi para ele me contar como conseguiu correr tão rápido a Puma, e ele, com toda paciência, me contou da sua rotina de treinos e falou do trabalho que está realizando com a Movimenta Desportiva.
Só a conversa com esse cara já valeu o treino! Eu fiquei tão fã dele que quase paguei mico e pedi autógrafo.
Faltando 5 minutos para as 8, o Toninho reuniu o pessoal em uma roda e começou um alongamento muito, mas muito doido.

Era praticamente um teste de sobriedade. A gente tinha que se comportar como o Daniel San do filme Karatê Kid: Primeiro veio o "Pinte a Cerca", atividade onde tínhamos que segurar o pé com a mão trocada e ficar em um pé só por 20 segundos (talvez os mais lentos da minha vida!), depois trocávamos de pé e mais vinte eternos segundos. Tinha gente se segurando nos carros, nas árvores... Eu senti na pele como é a vida do saci pererê, de tanto que fiquei pulando e tentando me equilibrar num pé só.
O segundo exercício do alongamento era ainda mais estranho. O "Daniel San encera o carro" consistia em ficarmos agachados - agachados não, era como se estivéssemos sentados - só que sem banco. Ficamos assim pela eternidade de 20 segundos.
A essa altura eu já estava pensando que o pior havia passado, já que nada podia ser pior do que aquilo. Mas podia sim! Vendo que alguns de nós ainda estavam respirando, o Toninho mandou a gente ficar em pé, esticar as pernas e encostar a palma - eu disse a PALMA, não a ponta da unha - no chão. Você está ai pensando que isto deve doer muito, né? Não dói não! O que mata mesmo de dor é ficar assim pela eternidade (eu acho que conseguiria dar a volta na lagoa naqueles 20 segundos que não acabavam nunca).
E o "alongamento" prosseguiu assim: como uma sessão de tortura chinesa nível 3. Acabei a sessão praticamente sem condições de correr, mas eu conseguia - finalmente - me equilibrar em um pé só.
Bastaram Uns 5 ou 10 minutos após o término do maldito alongamento para eu poder ficar em pé novamente, apesar da coluna querer permanecer curvada para o resto da vida.
O general Toninho organizou o pessoal (alguns correriam a lagoa toda e outros não) em grupos e lá fomos nós! Partimos em um grupo de quatro, três alunos e o Sansei Toninho.
Meio kilômetro adiante o mestre vira pra gente e diz: "Pára tudo! Esqueci a vaselina!"
Ai eu fiquei com medo! Fiquei MESMO! Meu pensamento imediato foi: "ué, ele já não ferrou a gente o suficiente no alongamento da morte?".
Felizmente a pomada era só para ele mesmo (eu acho!). O cara voltou e nós três continuamos correndo. Pouco tempo depois ele já havia nos alcançado. O cara é fera na corrida! (como eu conheci o sujeito hoje, e como este é um blog público, acho melhor não comentar nada, mas essa coisa de pomadinha anti-assadura é meio frescurite, nénão?  Brincadeira, Toninho!)

Acompanhei o grupo durante os 12 primeiros km. Uma coisa curiosíssima: quando estávamos no nono km, um cachorro apareceu do nada e começou a correr com a gente!
Me deu medinho, mas eu estava no meio do grupo, e não ficaria bem dar chilique. Gritei mentalmente o nome da Tia Rita, minha Fada-Madrinha maratônica, e então usei a técnica milenar do pensamento positivo: "somos 4, então tenho 75% de chance de sair ileso, caso um ataque canino aconteça". Firmei a mente e segui firme. Nem beiçinho eu fiz.
No início da barragem parei para comprar água e a turma se mandou de vez. Eu demorei apenas um minuto ou dois, mas quando olhei, os três ingratos já estavam quase do outro lado da barragem. Eles realmente fazem jus ao nome "Pé de Pano"!

Como eu havia planejado fazer todo o percurso respeitando o limite de 80% da minha fc máx, resolvi continuar no mesmo ritmo.
O único momento de stress foi na barragem. Haviam algumas poças de água e um pouco de barro na pista. E foi ai que percebi a grandeza do Mestre Toninho: "Pinte a cerca, pequeno gafanhoto!" Aquela era "a hora da verdade": Eu teria que me equilibrar no cantinho do passeio para não atolar o tênis na lama. Lembrei do "4" no alongamento e prossegui confiante, o cãozinho pé de pano do meu lado (agora eu já o estava vendo como um amigo, e não mais como ameaça).
É sério, o bicho me acompanhou até a casa do baile!

Cheguei de volta ao marco zero incrivelmente tranqüilo! Quando terminei, a turma toda me aplaudiu! E ainda me deram gatorade! Ô pessoal legal!

Foi a primeira vez em dez anos de corrida que treinei em grupo. A experiência foi muito agradável e espero sinceramente que me convidem de novo para um outro Longão.

Resumo do treino: fiz 17.98km em 1hora e 51 minutos (descontados os minutos que parei pra comprar água). A FC Média ficou em 81%max e, até o fechamento desta edição, ainda permaneço vivo (mas não faço alongamento com o Toninhoo NUNCA MAIS!!! Nota mental: chegar aos treinos sempre um pouco atrasado para evitar ser torturado novamente no alongamento da morte!)

Meus sinceros agradecimentos a toda a equipe pelo carinho com que fui acolhido.
Vocês são nota mil!!!