sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!


"Na vida, não vale tanto o 
que temos, nem tanto importa 
o que somos. 
Vale o que realizamos com aquilo que 
possuímos e, acima de tudo, 
importa o que fazemos de nós!"
Chico Xavier

Feliz Natal, amigo!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

GP Toninho de Fórmula 1???

Pois é! Agora o blog vai inovar de vez!
Como todos os meus cinco leitores têm reclamado muito que os textos deste blog estão grandes demais, decidi radicalizar e transmitir (quase) ao vivo e em (poucas) cores o treino de hoje.
Acompanhe então a corridinha de seis km ao redor da lagoa, com narração de Gavião Buenux e comentários de RegynaUdu Lemy.

Parte 1 - Chegando ao local de partida
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Parte 2 - os preparativos para a largada
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Parte 3 - Ligando o GPS
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Parte 4 - Larguei!!!
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Parte 5 - Comecei rápido demais...
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Parte 6 - Mostrando o crepúsculo
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Parte 7 - Na metade do caminho. Galvão tenta entrevistar nosso herói
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Parte 8 - Anoitecendo
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Parte 9 - Se chover, danou tudo!
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Parte 10 - 5ºKM - Errei a conta do tempo! Burro!
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A chegada! Galvão entrevista nosso atleta e Toninho agradece aos patrocinadores
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Agradecimentos especialíssimos à Eneida (tengavolantes.blogspot.com), Rafa, Iza, Pai, Mãe, Tia Rita, Yeda (papaleguasrun.blogspot.com), Railer (raileronline.blogspot.com), Marcelo, outro Marcelo, Lud, Nanda, Carlos, pessoal da Pé de Pano... E se eu esqueci alguém, eu tô fu... fuminado!
Valeu galera!

Esses loucos que correm...


Eu conheço-os.
Tenho-os visto muitas vezes.
São especiais.

Alguns saem de madrugada e empenham-se em ganhar ao sol.
Outros apanham o sol ao meio-dia, cansam-se à tarde, ou tentam não ser atropelados por um caminhão à noite.

Estão loucos.

No verão correm, trotam, transpiram, desidratam-se, e finalmente cansam-se … só para desfrutar do descanso.

No Inverno tapam-se, abrigam-se, reclamam, arrefecem, constipam-se e deixam que a chuva lhes molhe a cara.

Eu vi-os.

Passam rápido ao longo da alameda, devagar entre as árvores, serpenteiam caminhos de terra, trepam calçadas, fazem jogging na curva de uma estrada perdida, fogem das ondas na praia, atravessam pontes de madeira, pisam folhas secas, sobem montes, saltam charcos, atravessam parques, chateiam-se com os carros que não travam, fogem de um cão e correm, correm e correm.

Ouvem música que acompanha o ritmo dos seus pés, ouvem os padeiros e as gaivotas, ouvem os seus batimentos e a sua própria respiração, olham em frente, olham para os pés, sentem o cheiro do vento que passou por entre os eucaliptos, a brisa que saiu do laranjal, respiram o ar que vem dos pinheiros e abrandam ao passar em frente do jasmim.

Eu já os vi.

Não estão bons da cabeça.

Eles usam ténis com ar e sapatilhas de marca, correm descalços ou gastam sapatos. Transpiram tshirts, usam gorros e medem o seu próprio tempo.

Eles estão a tentar ganhar a alguém.

Trotam com o corpo solto, passam perto do cão branco, aceleram a seguir à coluna, procuram uma torneira para se refrescarem... e seguem.

Inscrevem-se em todas as corridas... mas não ganham nenhuma.

Começam a corrida na véspera, sonham que correm e levantam-se como as crianças no dia de Natal.

Prepararam as roupas que descansam sobre uma cadeira, como fizeram na sua infância na véspera das férias.

No dia anterior à corrida comem massa e não bebem álcool, mas são recompensados com ousadia mal a competição termina.

Nunca consegui calcular-lhes a idade, mas provavelmente têm entre 15 e 85 anos.

São homens e mulheres.

Não estão bem.

Começam em corridas de oito ou dez quilómetros e antes de começar sabem que não podem vencer, mesmo que faltem todos os outros.

Sentem a ansiedade antes de cada partida e alguns minutos antes do início eles precisam ir à casa de banho.

Ajustam o cronómetro e tentam localizar os quatro ou cinco a quem é preciso ganhar.

São as suas referências da corrida: "Cinco que correm como eu."

Basta chegar à frente de um deles e será o suficiente para dormir à noite com um sorriso.

Usufruem enquanto ultrapassam outro corredor... mas encorajam-no, dizendo-lhe que falta pouco e pedem-lhe para não abrandar.

Perguntam pelo abastecimento de água e ficam irritados porque não aparece.

Eles são loucos, sabem que têm nas suas casas a água que precisam, sem esperar pela entrega de uma criança que levanta um copo à medida que passam.

Queixam-se do sol que os mata sol ou da chuva que não os deixa ver.

Estão mal, eles sabem que há perto a sombra de um salgueiro ou o resguardo de um beiral.

Não as preparam... mas eles têm todas as desculpas para o momento em que atingem a meta.

Não as preparam... são parte deles.

O vento estava contra, não corria uma gota de vento, as sapatilhas eram novas, o circuito estava mal medido, os que entraram à frente não deixaram passar, o aniversário de ontem à noite, a costura na meia sobre o pé direito, o joelho a trair-me outra vez, arranquei muito rápido, não deram água, no fim ia acelerar mas não quis.

Gostam de começar a correr e quando chegam levantam os braços, porque dizem que conseguiram.

Ganharam mais uma vez!

Eles não percebem que perderam para cem ou mil pessoas... mas insistem que voltaram a ganhar.

São invulgares.

Inventam uma meta em cada estrada.

Ganham a eles próprios, aos que insistem em olhar para eles desde a calçada, aos que os vêm na TV e aos que nem sequer sabem que existem loucos que correm.

Tremem-lhes as mãos enquanto furam a roupa para colocar os dorsais, simplesmente porque não estão bem.

Eu já os vi passar.

Doe-lhes as pernas, sentem cólicas, custa-lhes a respirar, sentem pontadas nas costas... mas seguem.

À medida que avançam na corrida os músculos sofrem cada vez mais desfigurando rosto, o suor escorre pelas suas caras, as pontadas começam a repetir-se e dois quilómetros antes da meta começam a perguntar o que estão ali a fazer.

Não seria melhor serem um dos sábios que batem palmas na calçada?

Estão loucos.

Eu conheço-os bem.

Quando chegam abraçam-se à sua mulher ou ao seu marido para esconder o puro amor da transpiração do seu rosto e do seu corpo.

Esperam-nos os seus filhos e até algum neto ou mesmo o carinho de um avô que grita solidário quando eles passam a linha da meta.

Trazem uma placa à frente que pisca e diz "Cheguei - Missão Cumprida. "

Apenas bebem água e molham a cabeça, quase se atiram para a relva para recuperar, mas depois param, porque são saudados por aqueles que chegaram antes. Tentam atirar-se de novo mas param porque têm que saudar os que chegam depois deles.

Tentam empurrar uma parede com as duas mãos, levantam a perna desde o tornozelo e abraçam outro louco que chega mais suado que eles.

Tenho visto muitas vezes.

Estão mal da cabeça.

Eles olham com carinho e sem lástima o que chega dez minutos depois, respeitam o último e o penúltimo porque dizem que são respeitados pelo primeiro e pelo segundo.

Aproveitam os aplausos, mesmo que vejam no fim ganhando apenas à ambulância e ao tipo da moto.

Juntam-se em equipas e viajam 200 quilómetros para correr 10.

Compram todas as fotos que lhes tiram e não percebem que são iguais às da corrida anterior.

Penduram as medalhas pela casa para que quem a visita possa vê-las e pergunte. Estão mal.

"Esta é do último mês” dizem, tentando usar seu tom mais humilde.

"Este é a primeira que ganhei” dizem eles, omitindo que as distribuíam a todos, incluindo o último a chegar e o polícia de trânsito.

Dois dias depois da corrida muito cedo já saltam por cima das poças, escalam as cordas, movem os braços ritmicamente, acenam aos ciclistas, batem as palmas das mãos com os colegas com quem se cruzam.

Dizem que poucas pessoas, hoje em dia, são capazes de ficar sozinhos - consigo mesmo - uma hora por dia.

Dizem que só os pescadores, nadadores e alguns mais.

Dizem que as pessoas não estão usufruindo tanto do silêncio.

Eles dizem que gostam dele.

Eles dizem que projectam e fazem balanços, que se arrependem e se congratulam, que se questionam, preparam os seus dias enquanto correm e conversam sem medo com eles próprios.

Eles dizem que os outros inventam desculpas para lhes fazer companhia.

Eles estão mal da cabeça.

Eu já os vi.

Alguns apenas caminham... mas um dia... quando ninguém está a olhar, animam-se e correm um bocadinho.

Em poucos meses começam a transformar-se e ficam tão loucos como eles.

Esticam-se, olham, rodam, respiram, suspiram e atiram-se.

Aceleram, abrandam e voltam a acelerar.

Eu acho que eles querem vencer a morte.

Eles dizem que querem vencer na vida

Estão completamente loucos.

por Marciano Duran - Eso locos que corren - 2008 - tradução Alfredo Falcão

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Problemas





"Confiança é aquele sentimento que você tem antes de compreender a situação."


Há sete dias não consigo tempo para escrever aqui no blog. Isto é uma pena, sobretudo por dois motivos: primeiro porque meus cinco leitores podem ficar decepcionados (ou não!!!) por acessarem e verem até hoje a mesma postagem da semana passada; e segundo porque o blog tem funcionado como uma válvula de escape, uma forma que encontrei sem querer para escrever tudo que me vem à cabeça (esta a razão pela qual não falo só de corrida).
Assim, mesmo no curto período de vida do blog, já escrevi textos nos mais estranhos lugares. Escrevi vendo TV, escrevi no shopping, no carro (um dia em que fiquei preso na estrada por causa de um acidente), no banehiro... Já escrevi até no hospital!
O legal é que, quando acabo um texto, me sinto leve, tranquilo. É como se eu estivesse conversando cara a cara com todos os meus cinco leitores, de uma só vez. Dá uma calma...

Meu Treino de 6/12

E as coisas estavam indo relativamente bem até a quarta-feira passada, quando o mundo caiu bem em cima da minha cabeça. Fiquei sem tempo pra nada! A coisa ficou tão feia, que até pra ir ao banheiro era preciso um certo "planejamento".
Tudo piorou tão repentinamente porque meus problemas - que não são poucos - começaram a ter vida própria. É verdade! Normalmente, eu tenho problemas na construtora pela manhã, depois vêm os problemas do Sistema. Á noite são as questões familiares, coisas para consertar em casa, um menino que quer atenção aqui, uma esposa me mandando trocar a lâmpada ali... Mais tarde, tenho os problemas da consultoria, e depois é hora de tomar banho e ir deitar, esperando sem muita ansiedade, pelos novos problemas, que nascerão no dia seguinte.
Só que, na semana passada, ficou tudo misturado: ao invés dos problemas formarem a tradicional fila indiana e ficarem aguardando pacientemente por mim, eles discutiram entre si, e a coisa virou um tumulto só!
Os problemas pequenos, que normalmente têm prioridade na minha agenda, estavam sendo pisoteados pelos problemas grandes. Uma verdadeira maldade!
Os problemas graves misturaram-se com os urgentes, cada um se achando mais importante que o outro. Os problemas fêmeas, normalmente tão acanhados, partiram para cima dos problemas machos, foi a promiscuidade problemática. Até os probleminhas insignificantes e nanicos começaram a dar uma de "baixinho invocado".
Segunda volta do treino de 8/12 - Deliciosa!

Ah! Como você, caro leitor, seguramente também tem (ou ao menos já teve, caso seja atualmente funcionário público) problemas, com certeza já sabe que - se nós não resolvemos nossos problemas - eles se multiplicam. É a teoria Darwiniana da Evolução-multiplicatória-problemática. Foi o que ocorreu na minha vida. Bastou deixar os problemas juntos um pouquinho só, e a coisa toda virou de cabeça para baixo! Apareceram até problemas moderninhos, aqueles de piercing na orelha, cabelo de franjinha e sexo indeterminado.

Sem saber por onde começar, passei pelas três fases do ser humano desesperado: primeiro fiquei em pânico total, depois entrei em depressão profunda (um dia até chorei dentro do carro) e na fase 3 joguei tudo pro alto e fui correr na rua, que é lugar quente.

Terça feira corri 6km, ainda com as pernas doloridas da volta da Pampulha (bons tempos aqueles!!!)
Na quarta os problemas fizeram "barreirinha" e me impediram de sair do trabalho a tempo de correr.
Quinta feira consegui correr 8 deliciosos km pela orla da lagoa, e no domingo fiz 15km.
Ontem foi dia de descansar. Hoje, se Deus quiser - e os problemas deixarem - pretendo correr mais 8km. Estou até animado porque, se tudo der certo, correrei na parte oposta da lagoa à que costumo treinar, perto do Mineirão e da Igreja de S. Francisco (onde correm os ricos e famosos!).
Mas deixe-me ir, que ainda tenho muito problema pra resolver até o final do dia. E à noite ainda há a reunião da morte com o povo de São Paulo pelo skype.
O texto mal acabou, e eu já tô ficando deprimido de novo...

Ok, eu já posso até ouvir seus pensamentos, leitor amigo: Já consigo prever seus comentários aqui no blog. Sei que, certamente, você me encorajará, dizendo coisas verdadeiras, profundas e sábias como:
"é mano! Ema ema ema, cada um com seus 'pobrema'"
Muui amigo, você, hein? Deixa quieto!
É como diziam os antigos Romanos: "Emus Vobiscum, Corolarium Est! Madeirum Musicalis Cantarola Sifum-Cabeçadum Manoelis" (cê num resolve suas coisas sozinho não procê ver! o pau vai cantar bonito pra cima docê. Mané.)
15Km do domingo nublado. Tinha muuuuita gente correndo!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Volta da Pampulha 2011


Domingo, 4 de Dezembro. O despertador tocou as 6 da manhã e, diferentemente dos anos anteriores, eu não senti o friozinho na barriga. Estava muito animado, mas não havia ansiedade.
A turma toda lá de casa levantou cedo e fomos juntos para a Lagoa. O tempo estava perfeito para correr: o céu estava nublado, mas não havia chuva.
Combinei com meu amigo, parceiro de corridas e grande incentivador no projeto Maratona 2012, o Carlos Diniz, de nos encontrarmos na casa da minha cunhada.
Saindo da casa da Lud

De lá, caminhamos cerca de 1km até a largada, num delicioso clima de festa. Só quando entrei pela grade que separa os participantes da "torcida", é que caiu a ficha: eu estava lá de novo! Ia acontecer tudo novamente. Como nos anos anteriores, a família estava junta; os amigos animados. E o vovô aqui teria 18km pela frente.
Mar de gente

Dei um beijo nos meninos, outro - este um pouco mais caprichado - na esposa, e comecei a corrida.
"Comecei a corrida" é força de expressão porque, como éramos 13 mil pessoas na rua, tivemos que caminhar um bom tempo até a multidão começar a se dispersar. Eu mesmo só fui passar pelo pórtico de largada 5 minutos após o início oficial da prova. 
Eu e a Iza

Eu e o El

É nóis!

Cabe uma explicação: para quem não está familiarizado com o maravilhoso mundo das corridas, cada corredor leva um chip eletrônico preso ao tênis, e o tempo de cada participante é medido individualmente por um sensor preso a um tapete no chão. Por este motivo, passar "atrasado" pelo local da largada não é um problema, já que o que "vale" é o tempo líquido de cada um de nós.
o Guerreiro Indo para a batalha

Desde que fiz minha inscrição, decidi que não tentaria bater nenhum RP (RP=Recorde pessoal: nossa melhor marca em determinada corrida) nesta edição. Ao contrário, eu queria curtir a "festa". Meu objetivo era apenas percorrer todo o trajeto sem ficar exausto.
Está ficando apertado aqui, não?!

Liguei o ipod (companheiro inseparável nas corridas) e segui ao lado do Carlos pelos primeiros 6 km. Era gente que não acabava mais!
Carlos faz suas orações e ergue o braço para o deus-Hermes  


Após o sexto km, o Carlos aumentou o ritmo e decidi deixá-lo ir. Mantive meu passo e, como o ritmo estava muito confortável, minha imaginação voou!
Dando um joinha para a câmera da globo (vai ser brega assim lá em casa!)

Durante uma hora, 52 minutos e 52 segundos fiz planos para 2012, pensei nas coisas que fiz durante este ano; comemorei mentalmente os acertos, me lamentei pelos erros que cometi. Sonhei, planejei... Pensei nos meus amigos, nos meus pais, nos filhos, esposa. Lembrei com carinho daquela que escolhi para minha "Madrinha de Corridas". Pensei no trabalho; pensei no outro trabalho; na construtora; na consultoria...

Em determinado momento, me pus a relembrar o jantar da antevéspera, quando saí com a família para comer uma pizza (para as noites de sexta, recomendo um zilhão de vezes a pizza do restaurante Fazendinha!).
Durante o jantar, eu falei do trabalho (eu SEMPRE falo do trabalho) e da expectativa para a corrida. Minha esposa falou da vida dela, o El falou do Judô, a Iza da escola. E ai um fato raríssimo aconteceu: estávamos conversando sobre um assunto qualquer, e a filhota adolescente, não só expôs sua opinião, como falou durante a noite inteira! Eu ADOREI aquela conversa com ela! Pela primeira vez, eu me dei conta de que não estava conversando com uma menina, mas com uma pessoa adulta, e muito inteligente (puxou o pai, essa garota!!!)
Foi uma noite incrível. Foi simples, mas foi inesquecível para mim.

O certo é que, quando acordei do devaneio, já estava passando pelo quilômetro 15! Mesmo assim, preciso confessar que fui um corredor mega-relapso: não fiz força alguma para me concentrar na prova. Aumentei o som da Shakira (waka-waka, se me lembro bem) e segui em frente "na paz".
Peguei correndo dois copos de água em um posto de hidratação (havia bastante água e banheiros químicos espalhados pelo percurso) e me molhei com o primeiro. Nesta hora o pensamento voou novamente e me lembrei de alguma bobagem que falei pro Marcelo no trabalho. O problema é que lembrei disso bem na hora em que eu ia tomar um gole da água do segundo copo. Resultado: me engasguei! Foi uma cena meio nojenta (pessoas mais sensíveis devem pular daqui para o próximo parágrafo): tive que cuspir a água para não piorar a situação engasgatória, e ficou parecendo que eu estava... vomitando!
Um monte de gente ficou olhando com cara preocupada, mas como eu não diminui o ritmo, devem ter pensado que estava tudo bem e que havia sido apenas um surto de loucura, já que - felizmente - ninguém tentou me socorrer.

Carlos correndo os últimos metros com seu filho
Faltando um quilômetro para o final, encontrei minha cunhada com o marido e o filhinho Miguel. Toquei na mãozinha dele e segui em frente.
Nos 500 metros finais vi minha esposa e os filhos. Tentei bater na mão do El, mas não deu tempo (droga!). Terminei a prova com uma sensação boa, um sentimento de que tudo funcionou bem.
abraçar pode, mas beeeem de longe

Voltamos caminhando para a casa da minha cunhada, e todo mundo foi obrigado ficar me ouvindo falar da corrida.
Essa foi minha última prova do ano e, ao me despedir das corridas de 2011, me despeço também do meu tênis Nike Vomero - que correu comigo provas memoráveis como os 20km de Paris e a meia-maratona de BH.
O equipamento que quase ganhou vida nos meus pés vai agora ser aposentado (por causa da falta de amortecimento) das corridas.
Para correr em 2012, comprei um Mizuno hawk (tenho um wave Creation 10, mas não gostei de correr com ele). Espero que ele me traga tanta sorte quanto seu antecessor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bolhas!!!


Faltam apenas dois dias para a Volta da Pampulha, mas as coisas não estão boas.
Sinto-me como o aluno que está prestes a entrar de férias, mas que nem se dá conta disto, por causa das provas finais.
Minha vida está um caos. Problema aqui no trabalho, problema na empresa lá de SP em que presto consultoria. Poucos, mas urgentes problemas na construtora, problema em casa... E tudo é "pra ontem".
Aliás, "urgente" parece ser a palavra do momento! Ainda há pouco meu telefone tocou. Era um usuário com um "assunto urgente". Mal começo a falar e toca o celular. um segundo usuário esatava com um "caso de vida ou morte". Incorporo imediatamente o espírito da atendente de telemarketing ("um minuto, Senhor, enquanto localizo seu cadastro" - troca para o celular - "Senhor em que posso..." "Um minuto senhor enquanto verifico..."). Eu já nem sabia mais quem era quem, quando toca o celular número 2. Olho no visor e era ninguém menos que o PRESIDENTE DA EMPRESA. O cara ("cara" não! lave sua boca suja quando pronunciar o nome dO Todo-Poderoso, Senhor-Do-Ceu-E-da-Terra- Bendito-Seja-seu-Santo-Nome-e-santificado-seja-o-salário-que-me-paga - amém) NUNCA - nunca mesmo - fala diretamente comigo. Mas justo naquele momento de dor e sofrimento tinha que me ligar!
Mando os dois primeiros calarem as respectivas bocas e dou total atenção a Deus-Pai, esboçando um humor de quem acabou de ganhar na loteria.
Deus-Pai me dá algumas ordens e desliga.
Volto para o celular número 1. Começo a falar e lembro do telefone em cima da mesa. Troco para o outro telefone... Em dado momento ocorre o que já era de se esperar:
Simplesmente falo para o usuário número 1, que era "apenas" que o Gerente (o GE-REN-TE!) de produção da fábrica: "pode dar entrada na Nota agora, 'meu chapa'". Só que esta fala deveria ser para o usuário número 2, cinquenta e oito graus abaixo do primeiro na escala hierárquica daqui.
Tento me desculpar com o gerente pelo "meu chapa", mas a lambança já estava feita.


Ufa! Desabafei!
Até que esse negócio de escrever blog é bom!

Mas agora falando de um outro tipo de "correria", anteontem à noite finalmente voltei a correr!
Fiz 9km na esteira (tive que apelar para a academia porque estava chovendo). Desta vez levei comigo um mega fone de ouvido, que eu havia comprado para ver filmes no avião. Apesar de eu ter ficado como um ET na academia (deu pra ver pq minha academia parece um mhotel: tem espelho pra todo lado) valeu a pena, porque o fone funciona como um abafador. Pude curtir as músicas do ipod sem interferência alguma do bate-estaca da academia.
Saí da esteira, fui pra casa, tomei um banho rápido e entrei no skype. Reunião com o sujeito de São Paulo até quase 11 horas da noite. Foi pedreira.
Acordei um caco. Ontem não pude correr porque tinha que dar um pouco de atenção à família (a filha quer trocar de cabeleireiro. Quem é mulher sabe que é preciso um planejamento estratégico, com muitas reuniões e debates, para que esta difícil decisão seja tomada. Quem é homem, mas tem mulher em casa, sabe que nessa hora a gente tem que sentar, ouvir pacientemente, e emitir não uma opinião, mas um parecer jurídico sobre o tema - em que pese o fato de que elas farão justamente o contrário do que sugerirmos).
Mas não desligue ainda! Eu deixei para o final a melhor-pior parte, o cúmulo dos cúmulos: eu consegui ganhar uma bolha correndo na esteira! é mole?
Puxa-que-saiu! Sou o mais azarado de todos os corredores azarados do mundo. Do mundo não, do UNIVERSO!
Como eu tive que trocar de roupa correndo para ir à academia (por causa da reunião mais tarde), peguei uma meia qualquer e calçei de qualquer jeito. Resultado: fiquei com uma bolha, não na sola, mas - pasme! - na ponta do dedo do pé!!!
Felizmente já está diminuindo, e acho que vai dar pra correr a Pampulha tranquilo.
A conversa até que está boa, mas tenho que voltar pro trabalho, porque o horário do almoço já acabou faz tempo.
Valeu pelo papo!