domingo, 1 de abril de 2012

Piumex!


Você que me tem me acompanhado lendo o registro de meus treinamentos rumo à maratona do Rio, já se acostumou com minhas lamentações sobre a vida corrida que levo.
Mas como o escritorzinho aqui está longe de ser de ferro, não me contentei em tirar apenas uma tarde de folga (leia no post anterior). Resolvi parar por uma semana inteira e viajar com meus pais.

Neste exato momento, estou confortavelmente instalado numa rede na varanda da casa da praia. Para você ter uma noção de como a vida está mansa, basta dizer que o maior esforço que estou fazendo é abrir os braços para espreguiçar!
A única parte ruim é não poder ter trazido a esposa e os filhos (alguém tem que trabalhar na família!), mas eu estava realmente precisando descansar.

Eu sei que o blog existe para registrar meus treinamentos, mas se você permitir, vou falando aqui também de como estou administrando a cabeça (a cada vez que tenho que matar um treino para resolver problema, meu nível de stress aumenta uns 20%) e o tempo, para tentar não "pirar" até o dia da grande corrida.
A história do granito aliada ao já conturbado dia-a-dia, me deixou esgotado. Esta pausa ajudará muito a fazer o ritmo voltar ao normal.

Deixe-me agora lhe contar como foi a viagem:

Saí de casa às 10 da manhã de ontem e dirigi sozinho por 570km (meus pais vieram hoje, de avião). Eu adoro viajar de carro. Ver a paisagem, parar para lanchar, tudo isto me relaxa muito. Mesmo em uma estrada perigosa como a que liga MG ao ES.
Tão logo saí da cidade, coloquei um setlist de músicas que gravei especialmente para esta ocasião. Aumentei BASTANTE o volume do som (algo que só posso fazer quando estou sozinho, posto que os meninos não me deixam ouvir música alta no carro. No MEU CARRO!) e comecei a cantar acompanhando a Madona.
Puxa! Você devia ter ouvido minha interpretação de "Holiday"! Até a cantora Adele ficaria orgulhosa de mim! :)

Uma das paradas que fiz, já no Estado do Espírito Santo, foi num lugar chamado Café Teeiro. Eles plantam e colhem o café que vendem. O lugar é lindo, bucólico. Há muitas flores, um lago com carpas coloridas e uma varanda enorme. A beleza rústica do sítio e o ótimo atendimento dos donos cativam todos os que por lá param. Já pensando que eu escreveria sobre isto quando chegasse aqui, tirei algumas fotos.
Parada no Café Teeiro

Como você pode ver na segunda foto, o lugar fica no pé da serra, e aquele clima úmido da montanha é muito, muito gostoso. Dá vontade de ficar lá a vida toda. Eu já sabia que haviam uns banquinhos do lado de fora. Assim, comprei uma coca-zero e virei o carro para que eu pudesse sentar sem que me vissem lá de dentro (fiquei com vergonha) e me pus a saborear uns três pedaços da pizza que minha mãe fez para eu comer na viagem (você sabe como são as mães... Não importa o quanto cresçamos, elas sempre se preocuparão conosco! Ainda bem!).
Eu trouxe meu próprio lanche

Acabei de lanchar e segui viagem, a música sempre em alto volume. Um dos momentos altos do "show" foi quando cantei, junto com a Shakira, a versão que ela vez para "Nothing Else Matters"! Eu estava sensacional!!!
Começando a chover

Infelizmente, por volta das 5 da tarde, parei em um bloqueio na estrada devido a um grave acidente onde uma pessoa morreu e outra ficou muito ferida.
Acidente com vítima fatal

Acabei chegando no paraíso, digo, em Piúma, às 7 e meia da noite. Ajeitei as coisas (graças a Deus o caseiro havia limpado tudo aqui pra mim), tomei banho, lanchei o resto da pizza e me deitei na rede para dormir.
Apesar de cansado e com sono, não consegui pegar no sono. Minha vizinha viu que havia gente na casa e veio até aqui. Conversamos na varanda por mais de uma hora (fato RARÍSSIMO, porque quem me conhece sabe que não sou de conversar. Faço mais o estilo ogro-ermitão). Quero falar mais sobre isto, mas deixarei para o post de amanhã (se você aguentar, caro leitor).
Depois que ela se foi, liguei o iPad e assisti ao filme "Contágio". Fui dormir à meia noite e, pela primeira vez em muito tempo, dormi direto por 8 horas e meia.
Hoje de manhã tomei leite com tody e comi rosquinhas (mamãe é realmente insuperável!). Calcei o tênis e fui correr no paraíso, digo, na praia.
O paraíso é aqui!

Fiz 6km em 30 minutos para, ao final do rápido treino, partir logo para a parte que eu mais estava aguardando: tomar água de côco gelada na beira da praia!
Isso sim é que é vida!
Depois do Treino

Depois de estar devidamente hidratado, usei o timer da câmera para a sessão de fotos que fiz especialmente para o blog (eu realmente queria te fazer invejinha, leitor! hehe). Tirei as fotos e dei um mergulho. E esta foi a cereja do bolo: o mar daqui, normalmente frio, estava - simplesmente - MORNO! Delicioso!
Preparando para um mergulho no mar

Infelizmente o que é bom não durou muito. Tive que voltar pra casa e me preparar para buscar meus pais em Vitória. A viagem deles foi tranquila e já estamos todos em casa agora.

Sabe, eu não consigo entender porque ninguém lá em casa morre de amores por Piúma. Tudo bem: a casa é simples, a cidade está mais para um vilarejo, não há bons restaurantes e o shopping mais próximo dista "míseros" 100Km daqui!
Mas mesmo assim, quando eu chego na praia e vejo o mar calmo e a areia limpa, Ah!!! Minha irmã diz que sou ogro mesmo (ela odeia Piúma), e que tenho péssimo gosto...
Mas veja as fotos e me diga: Piumex é ou não é o paraíso?

Amanhã escreverei de novo. Se der, apareça por aqui novamente.
É Nóis!

quinta-feira, 29 de março de 2012

4.5


Morda-se de inveja, caro leitor!
Sim, caia duro aí no chão, resmungue o quanto quiser, mas hoje é meu dia!
Finalmente estou conseguindo escrever um post bem no meio de uma tarde ensolarada de TERÇA FEIRA!
Uhuuu!!! Que vida dura essa minha, não? Você aí ralando no trabalho e o bonitão aqui ó, só no bem-bom!
É que hoje meu pai tem oculista, então resolvi tirar a tarde de folga. Neste momento estamos aqui no consultório, aguardando a vez dele. Depois da consulta, vamos ao BHShopping fazer um lanchinho e comprar livros (meu pai já leu mais livros do que os quilômetros que eu já corri na vida. Herdei dele o gosto pela leitura de romances e o que sou devo a ele).

Bom, agora são 22 horas. Meu pai terá que fazer uma pequena cirurgia, mas é coisa simples.
Dando prosseguimento ao meu relato de folga (day-off para os moderninhos! Aliás não, estaria mais para um "half-day-off":) ), fomos ao Shopping, compramos livros e lanchamos. Foi uma tarde ótima! Conversamos muito, fizemos planos para a praia (falarei disto no próximo post) e acho que eles se divertiram tanto quanto eu me diverti.

Infelizmente (ou felizmente, sei lá!) não consegui terminar este texto ontem. Isto aliás, já está virando uma constante aqui no blog... Tenho que melhorar nesta parte, caso queira realmente manter meus 10 leitores!

Mas o que importa mesmo é deixar registrado aqui no blog que eu estou seguindo, na medida do possível, os conselhos (ao menos alguns deles) deixados pelo Carlos e pela Yeda em seus comentários. Um me disse que a maratona está chegando e que é para eu correr nos treinos até a língua pular fora da boca. A outra me mandou fazer musculação (cê tá de gozação, Capitã Nascimento?!?! :)  ) e contorcionismo circense - quer dizer, alongamento.
É claro que eles estão de brincadeira nesta parte (mandar um senhor de 40 e tantos anos fazer musculação é sacanagem... fala sério! Cadê o respeito aos idosos??? Cadê o estatuto da terceira idade???).
Excluindo-se as atividades extra-curriculares, na corrida eu até que estou indo bem. Consegui treinar forte na segunda e terça.
Até aqui, a semana está perfeita.
Hoje não teve treino porque comemoro meus 45 anos de vida! (vamos lá, meu filho! Cadê sua educação! Entre ai nos comentários e me dê logo os parabéns! Vamos!!! Eu até fiz o que o Railer pediu e retirei a maldita verificação ortográfica dos infernos!)

Diferentemente dos anos anteriores, onde minha alegria estava em preparar um churrasquinho aqui em casa para os amigos, neste ano a comemoração foi em forma de um jantar com a Eneida, El, Iza e o Pedro. Eles fizeram a torta salgada que eu ADORO, e como sobremesa, um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, além do "sorvetão", receita em que a Iza é especialista. Foi incrível!
O chato é que só tivemos uma hora para comemorar, pois as festividades precisaram ser interrompidas às 21 horas, em virtude da conferência que eu tinha com o pessoal lá de São Paulo.
A festança aliás, teve início logo cedo, quando fui à casa dos meus pais e tomei o café da manhã com eles. Foi tudo de bom!

Agora a reunião acabou e, enquanto faço meus backups, estou aproveitando para finalizar este texto (senão, eu não o colocarei no ar nunca!)

Na semana que vem terei tempo para escrever todos os dias. Então, se você puder (e quiser!) entre aqui novamente. Postarei atualizações diárias no blog a partir de da noite de sábado.
Boa sexta-feira para você.
Que Deus me ilumine, me ampare e me guie no caminho do Bem. Ao menos por mais alguns anos...
Tenho uma ótima vida. Bem melhor do que eu merecia. E mesmo sem este merecimento, agradeço a Ele (será que Deus lê blogs???) por todos estes anos de vida junto àqueles a quem amo e que me ajudam a fazer de mim mesmo uma pessoa melhor.
É Nóis.

domingo, 25 de março de 2012

Futuro corredor-blogueiro



São cinco e meia da tarde de um domingo chuvoso e estou aqui, deitado com meu filhote enquanto a esposa, a filha e o Pedro fazem um bolo pra gente lanchar.
Estou um pouco apreensivo porque há uma grande possibilidade de que eu nem venha a provar este tal bolo. Isto porque há um problema na fábrica e estou de sobre-aviso, podendo ser chamado a qualquer momento para ajudar (hoje é dia de fechamento para a equipe comercial, e o salário deles ficará comprometido se o problema não for resolvido) a resolver a parada.

Mas como o blog não foi criado para eu ficar aqui reclamando do meu sofrimento trabalhístico, vou mudar de assunto antes que você pare de ler (ei, espera! volta aqui! Já estou mudando de assunto! Foi Mal!!!... Estes leitores de hoje em dia estão cada vez com menos paciência! Êta!) e registrar o andamento dos treinos para a maratona do Rio 2012.
O péssimo treino de domingo passado foi felizmente esquecido e a semana prosseguiu em bom ritmo. O vovô aqui resolveu voltar para a academia (é, tá bem, eu voltei sim - falei! Agora você já pode tirar este risinho sarcástico da cara!), nem tanto por ser este lugar maravilindo, com música de gosto refinado, vista incrível para as montanhas e excelente ambiente para correr. Mas principalmente por ser um lugar COBERTO, onde posso treinar sem medo de que um raio caia na minha cabeça.
Tem chovido toda noite aqui em BH, e eu realmente não posso me dar ao luxo de ficar sem treinar. Não a três meses da corrida mais importante da minha vida.

Mas não é também sobre os treinos na academia que eu vim falar hoje.
O bom da vida é correr ao ar livre, acenar para os corredores que passam e curtir o visual. Assim, no sábado de manhã saímos eu, minha esposa e meu filho (a filha adolescente anda lendo "A bela adormecida", e só acorda depois do meio-dia) para a orla da Pampulha. Eu fiz um treino curto de 6km, enquanto mãe e filho alternaram corrida e caminhada, percorrendo um total de 4km.

Depois do treino, a Eneida resolveu fazer salmão grelhado para o almoço e o gran-chef aqui ajudou fazendo o molho de maracujá. Putz, ficou maravilhoso! (menos a parte do molho, que ficou meio amargo. Felizmente eu tinha backup: uma espécie de molho-reserva de limão. Este sim, ficou bom!).
À tarde fomos pela primeira vez a um lugar que só serve milk-shake. O slogan dos caras é que eles têm mais de 200 sabores! Meus cunhados foram com as respectivas esposas e filhos e o lanche foi bem divertido. Como cada um escolheu um sabor diferente, a coisa toda virou uma grande sessão de cachimbo da paz, com os milk-shakes passando de mão em mão.

De lá, seguimos para o parque de diversões. Sendo eu um macaco velho, calejado pelos apertos que passei com as crianças nas montanhas-russas da Eurodisney, fiquei quietinho no chão, só assistindo e agradecendo a Deus por não estar nem na roda gigante, nem em nenhum aparelho de tortura instalado a mais de meio metro do chão. Há um brinquedo entretanto, que eu adoro: acho que o nome é lagarta, (ou grande minhoca, ou centopéia, ou metrô-do-futuro, lombriga gosmenta, ou algo assim). Naquela hora eu fiz pose de destemido e fui com a Eneida e as crianças. Muito legal!
E assim terminou o sábado.

O dia de hoje começou antes mesmo de eu acordar. Era madrugada quando tive um pesadelo terrível (é tão raro isto me acontecer que nem me lembro da última vez), onde estávamos todos no Rio de Janeiro. Era madrugada e estava tudo escuro. Ao me despedir da família para pegar o ônibus para a largada da maratona, eu peguei o celular, dinheiro, número do peito e uma pulseirinha que identificava os corredores. coloquei tudo numa sacola e deixei com o Rafael. Só depois que saí em direção ao ônibus é que percebi que eu precisava da pulseira e do nro de peito para entrar no ônibus!
Foi tão ruim! Eu tentava correr de volta, mas não os encontrava mais. Havia uma multidão... Tudo muito escuro.
Eu pensei nos meus amigos que estariam na largada, pensei no quanto eu gostaria de estar lá também. Pensei no quão duro eu dei para chegar ali, e tinha jogado tudo fora.
Acordei assustado e gritei a Eneida (ato desnecessário, posto que ela estava dormindo... BEM DO MEU LADO!!! De forma que, gritar no ouvido da moça não foi nada elegante... Mas é como diz o velho ditado: "Casou agora aguenta!").

A parte boa do sonho foi que fiquei desperto e me levantei cedo para correr. Fiz 20 quilômetros e, diferentemente da semana passada, o treino foi bem legal. Corri sem música porque logo no primeiro km a bateria do iPod acabou, mas mesmo assim foi legal.  Por estar sem os fones de ouvido, eu pude ouvir a buzina do carro do Carlos quando ele passou por mim com sua família no km 12. Eles passaram acenando e fazendo festa! O Tiago ficou um tempão dando tchau com a mãozinha...
Terminei o treino como um frango assado, tamanho o calor. Mas foi muito bom.
Eu quero encerrar este post com o depoimento daquele que, ao que tudo indica, deverá ser conhecido num futuro próximo como grande blogueiro e corredor: o Rafael!
Pedi ao El que fizesse um texto dizendo como foi correr com a mãe dele. Segue abaixo o relato (um tanto resumido) do rapaz. Como você perceberá, Rafael já descobriu desde cedo, aquilo que seu pai ainda não aprendeu: "Textos curtos no blog!" :)

 Eu,Rafael tentei correr igual meu pai,no começo achei que não ia gostar,mas,quando corri pela primeira vez achei bem legal !
 Fiquei cansado,mas continuei correndo então quando deu 5minutos parei de correr e comecei a andar.
 No fim eu corri 4km com minha mãe ,pois não consigo acompanhar meu pai.

Não é fofo esse menino?!?!?!

domingo, 18 de março de 2012

O pior treino


Dezoito de Março de 2012 não é um dia para ser lembrado. Não por mim. Eu consegui fazer minha pior corrida, o pior treino desde que conheci o esporte.
A coisa já acabou e estou aqui, deitado na cama, escrevendo e pensando sobre o que deu errado esta manhã.

A semana passada havia sido especialmente difícil: a greve dos ônibus deixou o trânsito caótico; consegui discutir com meu patrão - algo muito, muito raro (e muito perigoso, já que ele é o meu PATRÃO!); meu cronograma de trabalho ficou igual a uma peneira, de tão furado. Estourei todos os prazos e não fiz nada direito; na construtora, descobri por acaso que a empresa que ia me vender o granito estava temtamdp superfaturar (não no preço, pq seria óbvio. Mas eles bolaram um esquema que quase nos passou a perna. MUNDO CÃO!); na quinta, recebi uma ligação da seguradora, dizendo que meu antigo carro sofreu perda total. Para fechar a semana com chave de ouro, recebi na tarde de sexta uma ligação que vai mudar minha vida para sempre. PARA PIOR.
Tudo ficou mais complicado porque choveu TODAS AS NOITES da semana e eu não consegui correr para poder aliviar o stress. Eu até tentei: na terça, liguei para minha mãe e pedi para usar a esteira do meu pai, mas não deu certo porque a lona ficou deslizando com meu peso. Felizmente aquela noite não foi de todo perdida, pq minha mãe fez um lanche ÓTIMO pra mim! Valeu Mãe!).
O sábado amanheceu com chuva e, como eu já estava puto da vida com todos os acontecimentos, além de não ter dormido nada, resolvi voltar pra cama.

De forma que, quando o dia de hoje amanheceu, eu só queira largar tudo e sair pra correr. Foi o que eu fiz.
O tempo estava nublado, ótimo portanto para correr. Fiz uma micro sessão de alongamentos, liguei o iPod e parti para 18km de paz.
Mas você sabe como é, caro leitor. Você sai dos problemas, mas os problemas não saem de você. Eu não conseguia parar de pensar no que fazer da minha vida, e - sem perceber - comecei a corrida num ritmo muito mais forte do que costumo correr. Só dei conta disto depois de passar pelo terceiro quilômetro, quando percebi que a respiração estava muito ofegante. Olhei pro relógio e vi que meus batimentos estavam a 95% do máximo.
Diminui a velocidade, enquanto ia aumentando o volume da música. Mas não adiantou nada. No sexto km meu coração ainda batia a 85% máx, e achei melhor parar e beber um pouco d'água. Este foi outro erro. Peguei a água e fiquei parado por uns bons 5 minutos. Eu deveria ter caminhado, mas estava muito chateado com tudo que estava acontecendo e com a besteira que fiz no começo do treino. Finalmente tomei coragem e voltei a correr.
Mas a coisa não melhorou. Eu me senti tão cansado que, depois de mais 4km tive que parar de novo. Comprei um gatorade e me sentei num banco pra tentar relaxar. O batimento havia baixado para 75%. Não sei quanto tempo fiquei lá, mas levantar do banco foi a coisa mais heróica que já fiz na vida!
No décimo segundo quilômetro eu já nem me agüentava mais em pé, quando um casal passou correndo por mim, a mulher por um lado e o marido (ao menos eu acho que era marido dela) pelo outro. Eles já estavam uns 50 metros à minha frente quando tive a ideia de segui-los. Apertei o passo e consegui alcançá-los. Corri com eles por dois quilômetros, ora eles me ultrapassando, ora eu os ultrapassando novamente. Até que, em uma ultrapassagem eles ficaram pra trás. Talvez tenham terminado seu percurso, mas o certo é que prossegui sozinho. E exausto.
Não conseguia correr a mais de 7min/km, e mesmo assim com muito sofrimento.
Faltando quatro km para completar a volta, encontrei com meu cunhado Tito, passeando de bicicleta com sua filha mais nova. Parei um minuto para cumprimentá-los, trocamos umas poucas palavras e voltei a correr.
Lembrei do meu filho, que me perguntou se eu ia andar de bicicleta com ele hoje... A tristeza e o cansaço voltaram com muita força, e tive que reunir o pouco de coragem que sobrava dentro de mim pra terminar o treino. Cheguei literalmente chorando de tristeza, dor ou raiva. MAS EU CHEGUEI.
Demorei 2 horas e 10 minutos pra completar a volta, e isto considerando que desliguei o cronômetro em todas as paradas.
Após completar a volta, caminhei 200 metros e desmontei num banco da praça. Só ai percebi que eu havia machucado o tornozelo de tanto ficar raspando a sola do tênis do outro pé. Isto já aconteceu comigo na meia-maratona do ano passado. Não dói, mas demora décadas pra sarar.
É, meu caro leitor, a coisa não tá fácil não. Felizmente, eu e meu sócio decidimos que só vamos começar a nova obra depois que o prédio atual estiver pronto. Vamos ter um "prejú" porque os lotes custaram caro e o projeto já está pronto. Quanto mais demorarmos para construir, mais dinheiro perderemos. Mas estou realmente exausto, e que se dane o dinheiro. Depois a gente ganha mais.              Ou não!
Coincidentemente, a obra atual deverá ficar pronta no final de junho, praticamente na mesma data da maratona do Rio. É, em muitos sentidos, o fim do caminho. Eu fico pensando que, com a maratona, a minha correria vai terminar. O Rio será a linha de chegada. Sinto como se já estivesse nos quilômetros finais. Mas estou fraquejando. Não sei se juntar o pouco de energia que ainda está dentro de mim será suficiente para cruzar a faixa e pegar a medalha. Mas, como diz o Marcelo da Ludmila: "eu tô fedendo, mas ainda não tô morto não!". Só sei de uma coisa: se eu conseguir chegar lá, se terminar o prédio, fechar o projeto de São Paulo e concluir os 42kms da maratona, eu vou me dar um presente: vou viajar pro Pantanal, pro Alasca, Patagônia ou pra qualquer lugar onde não haja shopping nem celular e ficar sozinho lá. Só euzinho. Ninguém mais. Uma semana, dez dias. Sei lá.
Se eu terminar.
Só se eu terminar.

É Nóis.

Ái que Mer$#!da!!! Eu já estava publicando este texto quando vi um SMS no telefone do serviço. Parou tudo lá na Fábrica e tenho que perder o que restou do domingo e ir lá pra ver o que houve.
Ontem o Carlos me mostrou um video no Youtube que dizia toda a verdade sobre a vida: Não há nada tão ruim que não possa ficar ainda pior. Ô vida!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Na terra dos Samurais


Caro Leitor,
Se você gosta de corridas de rua, por certo já deve ter ouvido falar no grupo BALEIAS. Se você é corredor, seguramente já cruzou com um de seus membros em algum treino ou corrida. Eles são inconfundíveis por dois motivos: primeiro pelo "Manto Coral", linda camiseta de cor alaranjada que ostentam "com orgulho!", e também pelo sorriso e simpatia com que tratam a todos que os cumprimentam.
Meu exíguo tempo não permite que eu acompanhe o blog Baleias com a freqüência que gostaria, mas tento entrar lá sempre que posso.
Esta semana tive o enorme prazer de ler um dos mais bonitos textos daquele, e de todos os blogs sobre corrida que conheço.
No post, o autor Miguel Delgado descreve a incrível viagem que fez com outros "Baleias" ao Japão, onde correu a Maratona de Tókio.

O relato da viagem já é, por si só, emocionante. Emocionante por conta da narrativa descontraída e muito bem-humorada que Miguel faz. Emocionante pelo modo como ele fala da cidade, como fala das pessoas de lá. Emocionante pela paixão que demonstra ter pelo "mundo que corre" (adoro esta expressão dele!), e pela forma como ele (e os Baleias, em geral) encara o esporte. Para os Baleias não há que se falar em tempo de prova. Não há preocupação chegar em primeiro, em chegar antes do companheiro, nem em fazer este ou aquele tempo. Para os Baleias, o último a chegar é tão importante quanto o primeiro. E a festa que a torcida Baleias faz para um (eu já vi isto!) é igual, se não maior, que a que faz para o outro. Correr para eles é mais que esporte. É quase uma filosofia de vida.
Sabe, cada autor descreve o mundo da forma que o enxerga, e isto diz muito sobre a personalidade de Miguel Delgado. Ele relata um pais lindo, com pessoas gentis, agradáveis e atenciosas. Se ele o faz desta forma, é porque é assim que vê o mundo: com otimismo, com bom humor, com empatia. Até a espera pela conexão ele consegue relatar de forma bem-humorada!
Mas o que tornou o texto especialmente emocionante, ao menos para mim, está em seu último parágrafo, na forma como Miguel conclui o post:
"Quem tiver com problemas de autoestima marque umas férias no Japão que voltará melhor. Eles te celebram e valorizam só por você estar lá.".

Fiquei tão emocionado com a leitura, que tomei a liberdade de escrever aqui estas linhas, sem ao menos consultar o autor (o que não faria lá muita diferença, posto que o blog Baleias tem zilhões de leitores, e Miguel não tem tempo para se preocupar com o que um fã anônimo escreve dele). Mas o fiz com a melhor das intenções, no intuito único de compartilhar com você, caro amigo, esta experiência fantástica. Se tiver tempo, entre lá e leia o post. Vale MUUUUITO a pena!
O endereço do Blog Baleias é http://baleias-corridaderua.blogspot.com/
e o post a que me refiro é intitulado
"MARATONA DE TÓQUIO 2012 - BALEIAS - A SOMBRA DO SAMURAI!!"

Que brilhe a sua Luz!

terça-feira, 13 de março de 2012

Correndo em família


Acho que desta vez eu bati o recorde. 16 dias sem escrever nada, sem mandar notícias, sem dizer uma palavrinha sequer para meu amigo leitor que tanto tem me apoiado nesta jornada rumo à primeira maratona.
Me perdoe, leitor. Mas o bicho tá pegando pro meu lado. E tá pegando com as duas mãos!
Depois de passar o carnaval de molho por conta do acidente de que fui vítima, tive que voltar a correr aos poucos. Primeiro por ter ficado parado dez dias, e também pelo temor de que alguma coisa mais séria pudesse acontecer no joelho que foi machucado.
Graças a Deus não houve dano algum.
Nos outros lados da vida entretanto, a coisa não está assim tão tranquila. Na semana passada houve um seminário aqui na empresa com a presença de gerentes de unidades de outros Estados. Participei de algumas palestras como ouvinte e fui convocado a dar também a minha própria, falando sobre a nova ferramenta de TI desenvolvida para controlar margens brutas (base de cálculo para rentabilidade) das unidades.
Eu mesmo desenvolvi a ferramenta e - modéstia às favas, até que ficou muito boa (acho que já lhe falei das minhas três principais qualidades, né? A BELEZA ÍMPAR; A INTELIGÊNCIA SUPREMA, e - acima de tudo - a... MODÉSTIA!!! ). Mas apresentar a coisa para trinta pessoas que não tiram o olho de você... não foi fácil.
Houve uma parte engraçada: em um determinado momento, meu colega Marcelo foi até o auditório levando um iPad para demonstrar não-sei-o-quê. Estávamos no final da apresentação do novo modelo de etiquetamento, e eis que a turma começa a aplaudir. Não sou nada tímido, mas a situação foi tão inesperada que eu me encolhi e fui andando para trás de onde o Marcelo estava, como que tentando me esconder. Ele percebeu e, pra não ficar sozinho lá na frente, deu dois passos pro lado e falou: "Pô, num vem não!". Foi desconcertante!
Como acontece em toda implantação, meu (pouco) tempo livre simplesmente sumiu. Desde que estes gerentes voltaram para seus lugares de origem, passei a receber uma enxurrada de ligações e e-mails com dúvidas etc.
Na construtora tudo está indo bem. Já na consultoria, tive que viajar outra vez a São Paulo no sábado. À tarde um temporal desabou sobre a cidade e o aeroporto chegou a fechar. Felizmente consegui voltar para casa no horário. Êta correria!

No lado pessoal da vida deste aspirante a maratonista, a coisa não está mais calma. Minha filhota, que está no último ano do científ... não! do "ensino médio", decidiu fazer cursinho pré-vestibular. Como pai zeloso que sou, apoiei irrestritamente a menina! Atitude bonita e louvável, né?!!! Mas o que eu não sabia é que a minha parte iria um pouco além do apoio moral... Ela já estuda de manhã e à tarde, de forma que o tal cursinho tem que ser feito à noite (tá começando a puxar o pai! Se continuar assim, você vai ficar sem tempo pra nada, filha...). A mãe a está levando, e adivinhe quem busca?? hein? hein? hein?
Acertou! Aliás, vou ter que interromper aqui. São 22:09 e ela sai as 22:40. É melhor eu andar logo e tratar de botar meu carrão novo na chuva.

Só agora (14:10hs do dia 13) voltei a escrever, o que aumenta meu recorde para 17 dias sem publicar nada! Droga!

Mas como o blog é sobre corrida, quero dizer que consegui fazer dois treinos curtos durante a semana passada e mais um no último domingo, quando corri pela orla da Pampulha. Mas este foi diferente!
É que, pela primeira vez na história da família, meu filho e minha esposa foram também! Partimos do PIC e seguimos em direção à barragem. Mãe e filho percorreram 4km alternando corrida e caminhada. Eu fiz 10km e os encontrei no ponto de onde partimos. Numa tentativa de homenagear a mãe do menino, cujo nome trago gravado no peito, resolvi inovar e - no último km - corri sem camisa.
A idéia não deu muito certo porque, além dela não perceber (aliás, por que perceberia? ela nunca correu comigo! Não tinha mesmo como saber que eu nunca corro sem camisa! BurrO!!) eu ainda fiquei todo ardendo e com a pele da cor de camarão.
Depois do passeio, fomos almoçar com o Carlos, a Fernanda e o Tiago. Conseguimos uma mesa embaixo das árvores, estava ótimo! Falamos muito sobre corrida e eu levei um puxão de orelha do Carlos, que reclamou por eu não estar atualizando o blog. Na saída, fui conhecer o novo carro da Fernanda (Lindíssimo Nanda! Parabéns!).
E este foi o domingo. Ontem não deu pra correr por causa da chuva forte, mas hoje eu vou! De qualquer jeito!

Para terminar, uma reclamação: atenção homens casados, o Carlos está inflacionando muito o mercado!!!
Carlos, meu filho! Nós os maridos, damos usualmente perfumes, botas e flores de presente para nossas respectivas esposas. Tem sido assim ao longo dos séculos e séculos. É uma tradição que precisa ser mantida: nós damos perfume e ganhamos lenço. Nós damos flores e ganhamos meias.
Quando você inova e dá UM CARRO NOVO pra sua mulher, você está complicando a minha vida; a vida do Marcelo da Lud; e talvez também a de muitos outros maridos cujas esposas venham a ler este blog!!! :)
(Brincadeira Carlos! A Nanda é ótima pessoa e seu gesto foi muito legal!) 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Joelho de Ferro




Há dias bons. E há dias não tão bons.
Há dias ruins. E há dias péssimos!
Mas estou descobrindo aos poucos que, depois dos dias ruins sempre vêm os bons.

Como você certamente não faz a menor idéia do que este modesto autor - rei e mestre das corridas de rua - está falando, por favor, continue lendo:

O relógio do carro marcava 18horas da última sexta-feira. Era véspera de carnaval e o sujeitinho aqui retornava para casa após um dia árduo de trabalho. Faltando cinco quarteirões para chegar em casa, sou acometido pela síndrome do pânico inesperado: ouço um barulho alto e sinto um monte de cacos de vidro batendo na minha cara. De repente, tudo começa a girar à minha volta.
Naquele átimo, naquele ínfimo porém indelével instante, meu cérebro luta consigo mesmo na tentativa de explicar a situação e várias hipóteses são imediatamente levantadas:
- teria eu bebido demais fazendo o mundo girar? Impossível, posto que não bebo álcool;
- seria a alucinação fruto de drogas ilícitas que teriam colocado em meu almoço sem eu saber? possível, mas improvável (já que drogas não custam barato, por que diabos alguém colocaria uma coisa dessas justo no MEU almoço? E mais, eu almocei 3 horas antes! Burro!).
- estaria o mundo acabando, como nas previsões de Nostradamus? Bingo! Pelo menos para mim o mundo parecia realmente estar acabando, já que o carro rodopiava rapidamente em direção ao muro do outro lado da rua!
Depois de uma eternidade o carro para de girar e as coisas vão ficando claras na minha mente. Assim como vai ficando cada vez mais clara no meu joelho uma dor indescritível!
Estava tudo explicado, caro leitor! Não era nada de mundo acabando; nada de extra-terrestre tentando me abduzir.
Eu havia sido vítima de um acidente de trânsito. Há cinco míseros quarteirões da minha própria casa!
Um carro avançou o sinal de PARE e bateu com força na lateral do meu. O impacto foi tão forte que meu carro girou e foi parar em cima do passeio, do outro lado da rua. Todo destroçado.
Na mesma hora, um monte de gente veio correndo me socorrer. Ao ver minha cara de susto e um sanguinho que saia do joelho, alguém falou: - liguem pro SAMU!
Neste momento minha consciência voltou e eu disse - mais para mim mesmo: "que mané SAMU oquê! Peguei o telefone e apertei com força o [2] para fazer a CDEPE*.

Veio polícia, esposa, namorado da filha... Graças a Deus! Nessa hora, ter alguém que você ama (estou falando da esposa - não da polícia nem do Juquinha) é a melhor coisa do mundo. Do mundo não, do UNIVERSO!
Depois de algum tempo, eis que passa pela rua ninguém menos que meu amigo Carlos, companheiro inseparável de corridas - e que provou ser um excelente anjo da guarda dos corredores azarados.
O Carlos me levou pro hospital junto com a Eneida e a mãe do motorista, que havia chegado ao local do acidente e estava mais preocupada com o estado do meu joelho do que com o filho dela (brincadeira, o pai do menino ficou com ele. Graças a Deus ele não se machucou).

Fomos para o pronto socorro, fizemos uma ficha e nos sentamos para conversar enquanto aguardávamos atendimento.
Passados uns vinte minutos, entra uma moça no hospital gritando: "Ele foi baleado! Ele foi baleado!". Falo para as mulheres olharem para o outro lado (a Eneida não é exatamente do tipo que gosta de ver sangue!) enquanto o sujeito passa na maca.
Mais alguns minutos e chega outra ambulância. Mais um cara baleado. Ai já era demais! Falei com o marido da dona por telefone e pedi que ele a convencesse de sair de lá.
Felizmente a Senhora aceitou e eu pedi à Eneida para voltar de carona com ela para casa.

Ficamos eu e o São Carlos. Nós dois sabíamos que eu só seria atendido depois que os dois santinhos baleados fossem devidamente operados, o que seguramente demoraria horas. Muitas horas.
Esperamos algum tempo para ter certeza de que a Eneida já havia ido embora com a mãe do Rubinho Barrichello, e seguimos no carro dela para outro hospital.
Lá, fui atendido na hora e, por coincidência, o ortopedista era meu conhecido.
Felizmente as radiografias mostraram que eu não quebrei nada e, segundo o médico, não há nenhum dano aparente nos ligamentos.
A parte ruim é que ele me mandou tomar remédio por uma semana e ficar 15 dias sem correr - nem caminhar!

Por sorte ele não falou nada sobre o carnaval, de forma que apesar de ficar mancando no sábado e no domingo, na segunda-feira eu consegui ir a uma matinée e - pasme! ainda dancei com a Eneida! (obviamente usei a desculpa do joelho dodói toda vez que pisei no pé dela!).
Deus é muito bom comigo, e não estou sentindo dor alguma. Claro, vou respeitar a recomendação do médico e só voltarei a correr... domingo? Só uma corridinha leve? Quase uma caminhada... Pace de 6min/km, fc a 80%... sol batendo na cara, música tocando alta no iPod... Mal posso esperar!
Que me perdoe o leitor por ter ficado tanto tempo sem escrever. Mas - desta vez - eu tinha ATESTADO MÉDICO!!!
Eu comprei um carro novo. Não! Eu comprei "O" carro novo! Mas depois eu falo sobre ele (até porque este blog é sobre corrida, e não sobre automobilismo!)
É nóis!